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11/09/08 - 14h54 - Atualizado em 11/09/08 - 15h06

Governo anuncia investimento de R$ 350 milhões para mapear Amazônia

Mais de um terço das terras amazônicas carece de mapas mais detalhados.
Dados serão úteis para novos investimentos e proteção da região.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um grande vazio nos mapas brasileiros deve desaparecer até 2012. Esse foi o compromisso firmado pelo presidente Lula nesta quarta-feira (10), ao lançar o Projeto Cartografia da Amazônia, que pretende terminar o mapeamento de todas as estradas, rios, minerais e florestas da região. O anúncio foi feito durante a Feira Internacional da Amazônia, em Manaus.

A previsão é de que sejam investidos na tarefa cerca de R$ 350 milhões nos próximos cinco anos. De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão federal que executará o projeto, há hoje 1,8 milhão de quilômetros quadrados da Amazônia Legal que não estão mapeados detalhadamente. A área, que corresponde a 35% da região, é maior que o estado do Amazonas.

Hoje, nos mapas mais precisos dessa região, a escala utilizada é de um centímetro para cada 2,5 quilômetros. Nas cartas que serão geradas, a precisão será de um centímetro para cada 1000 metros.

Um dos objetivos do investimento é gerar conhecimento para a construção de obras de infra-estrutura, como estradas, ferrovias e gasodutos, além de melhorar a segurança das fronteiras brasileiras. O mapeamento também servirá para ajudar no zoneamento ecológico-econômico da região, que estabelece a melhor forma de utilizar os recursos naturais da região, como a terra, os rios e as florestas.

Para melhorar a segurança da navegação nos rios da Amazônia, também será realizada uma atualização dos mapas das principais hidrovias. Segundo o Censipam, 95% dos produtos exportados pela região é escoado pelos rios. 

 

Aviões e navios

 

A maior parte do trabalho de mapeamento será realizado por aviões equipados com radares. “Há uma complicada operação de logística para levar combustível e definir as pistas de pouso.”, relata Marcelo de Carvalho Lopes, diretor do Censipam.

Os radares, além de rastrear a superfície terrestre, também têm a capacidade de detectar a composição do subsolo, gerando um mapa das riquezas minerais. “Deverão ser investidos pelo menos R$ 1,1 bilhão de reais pelo setor privado para aprofundar essas pesquisas geológicas”, prevê Lopes.

O mapeamento dos rios será realizado por cinco navios da Marinha, que ainda serão construídos. “Eles vão permitir que as cartas náuticas se mantenham atualizadas. Isso é importante porque as características dos rios vão se modificando ao longo do tempo.”, explica o diretor do Censipam.

O projeto já está em estudo há dois anos, e em 2008 já foram investidos R$ 33 milhões. Além do Censipam, que é subordinado à Casa Civil da Presidência da República, também participarão do mapeamento o Exército, Marinha, Aeronáutica e Ministério de Minas e Energia.

 

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