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Em alguns lugares no meio da Amazônia, as distâncias não são
medidas em quilômetros, mas em dias de viagem. Para levar a
vacina contra rubéola a esses locais, uma verdadeira operação de
guerra foi montada pelo Ministério da Saúde em parceria com a
Aeronáutica.
Doze aeronaves militares, entre aviões e
helicópteros, são disponibilizados para a campanha, batizada de
“Operação Gota”. Eles são utilizados para levar técnicos e
equipamentos para as áreas em que não é possível atingir por
meio dos postos da Campanha Nacional de Vacinação, que começou
em 9 de agosto e vai até 12 de setembro.
Missão difícil
Depois de identificar as pistas de pouso mais próximas das
comunidades isoladas, equipes do Ministério da Saúde são
transportadas de avião e montam uma base de apoio, onde podem
permanecer por até 30 dias.
Além das pessoas, os aviões levam combustível,
roupas, alimentos e, principalmente, refrigeradores com as
vacinas contra a rubéola, que precisam ser mantidas em uma
temperatura entre 2 e 8 graus Celsius.
Depois de estabelecida a base de operação, as
equipes são transportadas de helicóptero para as comunidades
mais isoladas. Viagens de barco também podem ser feitas pelos
técnicos, mas muitas vezes as cachoeiras e o longo tempo de
viagem impedem o uso do do transporte fluvial.
“Há situações que não esquecemos jamais. Já fomos
em uma área indígena que nunca tinha recebido a visita de uma
equipe de saúde. Todos fugiram, e ficou apenas uma pessoa com um
facão na mão. A sorte é que no nosso helicóptero havia um índio
que falava a língua deles. A equipe toda chorou quando eles
viram que não havia perigo e vieram nos receber”, relata a
coordenadora da Operação Gota, Sâmia Samad.
As viagens para vacinação das populações isoladas
começaram em agosto, e vão continuar até dezembro. Serão
visitadas cerca de 1600 comunidades, em oito estados. Até o
final do ano, a operação terá mobilizado 320 técnicos.

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