Nesta semana, mais de 140 mil internautas brasileiros provaram que estão alertas contra queimadas e desmatamentos na Amazônia. Eles fizeram mais de 5 milhões de protestos contra a derrubada da mata no mapa interativo Amazônia.vc, que mostra em tempo real os focos de destruição da floresta e permite que usuários registrem suas manifestações.
Veja em vídeo como você pode vigiar a floresta
A mobilização também foi grande nas comunidades
virtuais da rede social Orkut. Foram criados mais de 60 grupos
para procurar soluções para o desmatamento, estimular novos
protestos e tirar dúvidas sobre as imagens reveladas pelo mapa interativo.
Pergunta que não cala
Uma das dúvidas mais freqüentes dos internautas é
por que o estado do Pará tem tanto desmatamento. No último
levantamento divulgado pelo Inpe (Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais), que mediu a perda da floresta em julho, o
estado foi o mais problemático, registrando 236 km² de mata
derrubada em apenas um mês.
O Pará também lidera o ranking de protestos. Em
menos de uma semana, foram mais de 2 milhões de cliques em
manifestação contra a devastação das florestas paraenses.
Para descobrir por que essa região da Amazônia sofre tanto com o
desmatamento, conversamos com o diretor de Políticas Públicas do
Greenpeace, Sérgio Leitão, que mostrou motivos históricos e
recentes para o problema.
“Ali se encontra um pacote de obras do governo,
lançadas nos anos 1970, que contribuíram para esse processo. O
projeto mais famoso é o Programa Grande Carajás, que construiu
estradas, ferrovias e trouxe a mineração. Isso fez recair sobre
a região uma pressão muito violenta de ocupação territorial”,
explica Leitão.
Ele conta que, com a mina de ferro de Carajás
funcionando, várias empresas se instalaram na região para
transformar o minério de ferro em ferro gusa, e utilizaram
carvão proveniente das florestas nesse processo industrial.
“Grande parte do desmatamento foi feito para dar carvão para as
guseiras funcionarem”, relata.
A indústria madeireira e as fazendas de gado
também são apontadas por Sérgio leitão como responsáveis pela
derrubada da floresta na região. “O Pará é hoje um dos locais
onde mais há abertura de frentes para a pecuária. As condições
climáticas são muito regulares, com pasto bom o ano inteiro”,
afirma.
Finalmente, segundo o especialista, a construção
de grandes obras, como a usina de Tucuruí, trouxe investimentos,
mas também muita pressão sobre o meio ambiente. “Esse histórico
de projetos governamentais fizeram do Pará um pólo atraente de
desenvolvimento. Mas isso, ligado a uma ausência muito grande do
Estado, fez com que se verificassem esses índices [de
destruição]”, completa.
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