Instrumentos musicais são produzidos com madeira descartada das serrarias (Foto: Claudete Catanhede / Divulgação)
Ripas, vigas e tábuas de madeiras amazônicas que poderiam virar
carvão se transformam em caixas, bandejas e até em violões e
cavaquinhos na capital amazonense.
Um projeto apresentado pelo Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (Inpa) na Feira Internacional da Amazônia,
que termina neste sábado (13), mostra uma experiência
bem-sucedida de criação de tecnologias para aproveitamento de
madeira.
Utilizando resíduos descartados por serrarias e
madeira proveniente de manejo florestal, a pesquisadora Claudete
Catanhede estudou técnicas de marchetaria – colagem de madeiras
de diferentes tipos – para a fabricação de produtos que
revelassem a identidade amazônica e trouxessem desenvolvimento
para a região.
“Essa proposta beneficia a empresa que produz os
artefatos, gera empregos, e cria oportunidades de negócios com
madeira da Amazônia”, explica a pesquisadora.
De acordo com Catanhede, o projeto estudou a industrialização de
árvores pouco conhecidas. “É importante valorizar madeiras
alternativas porque muitas pessoas pensam que só espécies como o
cedro e mogno podem ser utilizadas. Aí aumenta muito a procura
por essas madeiras, e elas acabam desaparecendo.”, revela.
Os produtos de marchetaria vêm sendo fabricados
comercialmente desde 2007, mas a pesquisadora estuda técnicas de
aproveitamento de resíduos de madeira desde 2001. “É necessário
fazer um estudo tecnológico sobre a qualidade das espécies. Se
não estudarmos, conseguimos até vender, mas depois o cliente
volta com o produto quebrado.”, conta.
Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado do Amazonas (Fapeam) e da Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep), o projeto funciona em parceria com uma empresa
de Manaus. A capacidade de produção permite a fabricação de 300
peças por mês e, devido à demanda pelos produtos, cursos de
marchetaria e lutherie – fabricação de instrumentos de cordas –
já estão sendo ministrados pela empresa.

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