"As pessoas não imaginam que, nesses lugares, se você botar os pés para fora do avião com uma máquina no pescoço, pode não voltar vivo", conta Rodrigo Baleia.
Desde 2000, o fotógrafo gaúcho Rodrigo Baleia vai à Amazônia duas vezes ao ano. Ex-estudante de biologia, sempre quis registrar o trabalho científico, a fauna e a flora da região.
No entanto, por acompanhar expedições de organizações ambientais como o Greenpeace, seu principal trabalho é fazer registros da destruição da floresta, que sirvam como denúncia.
"A primeira vez em que estive na Amazônia foi
com o Greenpeace. Fiquei três meses e meio embarcado num navio,
viajando pela região. Participei daquela campanha e, desde
então, me convidam para documentar os trabalhos deles na
região".
Veja a galeria com fotos de Rodrigo Baleia
Visitar a Amazônia é uma experiência triste para
Baleia. "A cada ano que vou é mais destruição. E ela tem
uma escala gigantesca. As coisas estão sempre de mal a pior.
Muitas vezes perco a minha fé, pois nesses anos todos só vi
destruição. Vi muita gente subindo em palanque, mas nada sendo
feito. Por isso acho importante todos fazerem sua parte. Uso
minha fotografia para denunciar isso".
Para o fotógrafo, é chocante constatar que fora da
Amazônia as pessoas não tenham amplo conhecimento da situação.
"Quando volto, todos querem saber das belezas de lá, dos
animais, das plantas. Mas poucas vezes me deparo com as belezas.
Onde vou, as pessoas querem me matar, ameaçam meus colegas. O
pessoal do Ibama também sofre e é ameaçado. As pessoas não
imaginam que nesses lugares, se você botar os pés para fora do
avião com uma máquina no pescoço, pode não voltar vivo".
O fotógrafo de 37 anos, que reside atualmente em
São Paulo, está de mudança marcada para Manaus, onde pretende
dar continuidade a seu trabalho de documentar a floresta.
"As fotos aéreas me chocam muito porque
mostram a escala da destruição. Toda vez fico abalado. Você está
a alguma centenas de metros de altura e vê queimada até o
horizonte. É uma coisa muito forte ver essas queimadas de
cima", conta.
Mas também no chão Baleia diz ser afetado pela tristeza de ver a mata sendo devastada. "As árvores parecem corpos. São seres vivos que acabaram de morrer. Tenho vontade de pedir desculpas. É minha espécie que está fazendo isso."
Baleia explica que é da revolta contra o
desmatamento que tira força para seguir trabalhando: "Sinto
muita impotência em ver que está tudo queimando e não há nada
que possa ser feito. É uma coisa que me destrói por dentro. Mas
nada que uma chorada dentro do avião não recomponha, dando-me
ânimo para a próxima."

O Portal de Notcias da Globo