Os milhões de protestos registrados pelos usuários do mapa interativo do Globo Amazônia, que mostra em tempo real a destruição da floresta, já começam a surtir efeito em Brasília.
Em discurso proferido no Senado nesta quarta-feira (17), a
senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PT-AC),
citou a mobilização de milhares de pessoas na internet para
chamar atenção aos problemas da Amazônia.
“Esses protestos foram feitos por cerca de 212 mil
pessoas que instalaram o mapa interativo em seus computadores
para monitorar a situação da Amazônia”, lembrou a senadora.
“Esse milhão de pessoas que, a cada dia, está entrando no sistema para protestar está dizendo que quer ver o desenvolvimento econômico-social acontecer preservando a Amazônia, a Caatinga, o Pantanal, a Mata Atlântica, enfim, todos os biomas brasileiros. Isso é um brado de uma sociedade que quer soluções consistentes e duradouras para preservar esse patrimônio nacional”, lembrou.
Para a ex-ministra, a manifestação dos internautas pressiona o governo a tomar medidas contra a destruição da floresta.
“O posicionamento crítico da sociedade brasileira é absolutamente
necessário para que as importantes medidas já tomadas pelo
Governo no âmbito do Plano de Prevenção e Controle do
Desmatamento da Amazônia sejam mantidas e consolidadas, como,
por exemplo, a Resolução nº 3.545, do Conselho Monetário
Nacional, que inibe o crédito na Amazônia para quem descumpre a
legislação ambiental”, frisou.
Marina Silva avalia que houve avanços na área da
fiscalização, mas ainda é necessário resolver os problemas de
ocupação da terra e criar meios de explorar as riquezas da
Amazônia sem devastá-la.
“O plano de combate ao desmatamento não é apenas um conjunto de medidas de comando e controle. Ele está baseado em três eixos estruturantes: o combate às práticas ilegais, o ordenamento territorial e fundiário e o apoio às atividades produtivas sustentáveis”, afirmou.
Em seu discurso, a senadora também defendeu um projeto de sua
autoria que direciona mais recursos aos estados que têm reservas
ambientais e terras indígenas. “Era uma forma de compensar
aqueles Estados que têm grandes áreas preservadas, como é o caso
de Roraima, do Amapá, do Acre, do Amazonas e até mesmo do Estado
do Pará e Mato Grosso”, disse.
Ao final do pronunciamento, Marina Silva ressaltou
que os protestos dos internautas já são, por si só, uma forma de
defender o meio ambiente. “Mas, talvez, a coisa mais importante
é termos as pessoas no Brasil inteiro fazendo um exercício da
sustentabilidade política, movidas pela sustentabilidade ética
para um projeto de País que compreenda que os seus ativos
ambientais não são um peso, mas uma grande riqueza tangível e
intangível da qual não podemos abrir mão”, afirmou.

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