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20/09/08 - 13h06 - Atualizado em 20/09/08 - 15h55

Produtos da floresta ajudam a manter a mata em pé

Conheça sete produtos importantes da Amazônia.
Descubra como frutos, óleos e seivas estão presentes no seu dia-a-dia.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Gerar renda para as populações que vivem na Amazônia sem a necessidade de derrubar a mata. Essa é a aposta do Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao estimular a coleta dos chamados “produtos da floresta”: óleos, frutas e seivas cada vez mais usados pela indústria e retirados de forma sustentável da natureza.

No início deste mês, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou um preço mínimo para quatro desses produtos: borracha, açaí, castanha de babaçu e pequi. Isso significa que, se as populações locais não conseguirem vendê-los acima do valor fixado, o governo cobre a diferença. A expectativa é de que, em breve, mais seis produtos entrem na lista: castanha-do-Brasil, andiroba, copaíba, buriti, piaçava e carnaúba.

Para que você descubra para que servem esses vegetais – muitos deles utilizados no seu dia-a-dia – e entenda a importância deles na preservação da floresta, o Globo Amazônia selecionou os sete produtos tipicamente amazônicos da lista dos dez que terão preço mínimo fixado. Conheça cada um deles: 

 

Açaí

 

 

Polpa do açaí é consumida no mundo todo em bebidas, mix de frutas, sorvetes e cápsulas. (Foto: Gervásio baptista / ABr)

Conhecido por ter uma polpa com grande poder nutritivo, a fruta é consumida no mundo todo em bebidas, mix de frutas, sorvetes e cápsulas. No Brasil, o principal mercado consumidor é a cidade do Rio de Janeiro, onde é apreciado principalmente pelo público que pratica esportes.

Na região amazônica, o suco feito com a polpa é conhecido como “vinho de açaí”. O palmito também é um protuto importante dessa árvore. Hoje, o estado que lidera a produção é o Pará, com quase 90% do mercado. 

 

Andiroba

 

A semente da andiroba, que é coletada quando os frutos caem no chão, possui um óleo conhecido na região como “azeite de andiroba”. Ele é utilizado na indústria em cremes, shampoos, pomadas e sabonetes. Os indígenas também usam o óleo em uma mistura com corante de urucum e passam no corpo para repelir insetos e proteger-se do sol.

Uma única árvore pode produzir até 200 quilos de amêndoas em um ano, gerando cerca de sete litros de óleo. A planta ocorre em toda a região amazônica. 

 

Borracha natural

 

 

Entre 5 e 10 mil famílias vivem da extração do látex para a fabricação de borracha. (Foto: Axel Boldt / Wikimedia Commons)

Presente nos pneus, preservativos, balões de festas e calçados, a borracha natural é utilizada em larga escala pela indústria do mundo todo. Apenas 1% do consumo brasileiro, contudo, provém das matas amazônicas. O restante é importado ou retirado de grandes plantações.

De acordo com o MMA, hoje a extração do látex – a seiva da seringueira, utilizada na fabricação da borracha – envolve entre 5 e 10 mil famílias. Os principais estados produtores são o Acre, Amapá e Pará. 

 

Buriti

 

Essa palmeira elegante, que pode ultrapassar 30 metros de altura, ocorre nas áreas pantanosas. As folhas são usadas para cobertura de casas, e os frutos servem de alimento, na forma de sucos, doces e sorvetes.

Uma das apostas no buriti é o óleo de suas sementes, que é muito rico em vitamina A. De acordo com estudo do MMA, esse produto é uma das maiores fontes de beta-caroteno – substância importante na prevenção de várias doenças – conhecidas na natureza. 

 

Castanha de babaçu

 

 

 

Coleta da castanha do babaçu garante renda a cerca de 300 mil mulheres. (Foto: Fábio Pozzebom / ABr)

Predominante no Maranhão, em uma região de transição entre a floresta amazônica, caatinga e cerrado, o babaçu é uma palmeira que garante renda a cerca de 300 mil mulheres que trabalham na coleta dos frutos, as famosas “quebradeiras”.

São conhecidas mais de 60 utilizações diferentes do babaçu. Da sua amêndoa retira-se um óleo comestível, que é utilizado também pela indústria para a produção de sabão. A polpa da fruta serve para a fabricação de farinha e a casca do coco é usada como carvão.

Como as frutas são coletadas de florestas nativas, o desmatamento é uma das maiores ameaças à coleta das castanhas. 

 

Castanha-do-Brasil

 

Também conhecida nacionalmente como castanha-do-Pará e fora do país como “Brazil nut”, a fruta é consumida crua, tostada ou salgada, e muito utilizada na fabricação de bombons, bolos e sorvetes.

As sementes crescem reunidas dentro de uma casca dura e pesada, chamada de “ouriço”. Essa fato, somado à altura das árvores, que pode passar de 50 metros, faz da coleta da castanha-do-Brasil uma tarefa difícil e perigosa.

O tamanho da árvore e a qualidade da madeira fizeram da castanheira um alvo importante da indústria madeireira, e a destruição de grandes castanhais nativos fez com que o corte da espécie fosse proibido.

Os estados do Amazonas, Pará e Acre lideram a atualmente a produção da semente. 

 

Copaíba

 

Utilizado na produção de cosmético e de medicamentos, o óleo de copaíba é retirado do tronco da árvore. A planta é encontrada em todo o território amazônico, mas em pouca quantidade: a média é de cerca de uma árvore para cada hectare (área equivalente a um campo de futebol). Se não for feito com cuidado, o furo no tronco da copaíba pode matar a árvore.

 

Se você vive na Amazônia e tem dúvidas, sugestões ou idéias para melhorar a proteção da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se possível fotos ou vídeos.

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