Gerar renda para as populações que vivem na Amazônia sem a
necessidade de derrubar a mata. Essa é a aposta do Ministério do
Meio Ambiente (MMA) ao estimular a coleta dos chamados “produtos
da floresta”: óleos, frutas e seivas cada vez mais usados pela
indústria e retirados de forma sustentável da natureza.
No início deste mês, o Conselho Monetário Nacional
(CMN) aprovou um preço mínimo para quatro desses produtos:
borracha, açaí, castanha de babaçu e pequi. Isso significa que,
se as populações locais não conseguirem vendê-los acima do valor
fixado, o governo cobre a diferença. A expectativa é de que, em
breve, mais seis produtos entrem na lista: castanha-do-Brasil,
andiroba, copaíba, buriti, piaçava e carnaúba.
Para que você descubra para que servem esses
vegetais – muitos deles utilizados no seu dia-a-dia – e entenda
a importância deles na preservação da floresta, o Globo Amazônia
selecionou os sete produtos tipicamente amazônicos da lista dos
dez que terão preço mínimo fixado. Conheça cada um deles:
Açaí
Polpa do açaí é consumida no mundo todo em bebidas, mix de frutas, sorvetes e cápsulas. (Foto: Gervásio baptista / ABr)
Conhecido por ter uma polpa com grande poder nutritivo, a fruta é
consumida no mundo todo em bebidas, mix de frutas, sorvetes e
cápsulas. No Brasil, o principal mercado consumidor é a cidade
do Rio de Janeiro, onde é apreciado principalmente pelo público
que pratica esportes.
Na região amazônica, o suco feito com a polpa é
conhecido como “vinho de açaí”. O palmito também é um protuto
importante dessa árvore. Hoje, o estado que lidera a produção é
o Pará, com quase 90% do mercado.
Andiroba
A semente da andiroba, que é coletada quando os frutos caem no
chão, possui um óleo conhecido na região como “azeite de
andiroba”. Ele é utilizado na indústria em cremes, shampoos,
pomadas e sabonetes. Os indígenas também usam o óleo em uma
mistura com corante de urucum e passam no corpo para repelir
insetos e proteger-se do sol.
Uma única árvore pode produzir até 200 quilos de
amêndoas em um ano, gerando cerca de sete litros de óleo. A
planta ocorre em toda a região amazônica.
Borracha natural
Entre 5 e 10 mil famílias vivem da extração do látex para a fabricação de borracha. (Foto: Axel Boldt / Wikimedia Commons)
Presente nos pneus, preservativos, balões de festas e calçados, a
borracha natural é utilizada em larga escala pela indústria do
mundo todo. Apenas 1% do consumo brasileiro, contudo, provém das
matas amazônicas. O restante é importado ou retirado de grandes
plantações.
De acordo com o MMA, hoje a extração do látex – a
seiva da seringueira, utilizada na fabricação da borracha –
envolve entre 5 e 10 mil famílias. Os principais estados
produtores são o Acre, Amapá e Pará.
Buriti
Essa palmeira elegante, que pode ultrapassar 30 metros de altura,
ocorre nas áreas pantanosas. As folhas são usadas para cobertura
de casas, e os frutos servem de alimento, na forma de sucos,
doces e sorvetes.
Uma das apostas no buriti é o óleo de suas
sementes, que é muito rico em vitamina A. De acordo com estudo
do MMA, esse produto é uma das maiores fontes de beta-caroteno –
substância importante na prevenção de várias doenças –
conhecidas na natureza.
Castanha de babaçu
Coleta da castanha do babaçu garante renda a cerca de 300 mil mulheres. (Foto: Fábio Pozzebom / ABr)
Predominante no Maranhão, em uma região de transição entre a
floresta amazônica, caatinga e cerrado, o babaçu é uma palmeira
que garante renda a cerca de 300 mil mulheres que trabalham na
coleta dos frutos, as famosas “quebradeiras”.
São conhecidas mais de 60 utilizações diferentes
do babaçu. Da sua amêndoa retira-se um óleo comestível, que é
utilizado também pela indústria para a produção de sabão. A
polpa da fruta serve para a fabricação de farinha e a casca do
coco é usada como carvão.
Como as frutas são coletadas de florestas nativas,
o desmatamento é uma das maiores ameaças à coleta das castanhas.
Castanha-do-Brasil
Também conhecida nacionalmente como castanha-do-Pará e fora do
país como “Brazil nut”, a fruta é consumida crua, tostada ou
salgada, e muito utilizada na fabricação de bombons, bolos e
sorvetes.
As sementes crescem reunidas dentro de uma casca
dura e pesada, chamada de “ouriço”. Essa fato, somado à altura
das árvores, que pode passar de 50 metros, faz da coleta da
castanha-do-Brasil uma tarefa difícil e perigosa.
O tamanho da árvore e a qualidade da madeira
fizeram da castanheira um alvo importante da indústria
madeireira, e a destruição de grandes castanhais nativos fez com
que o corte da espécie fosse proibido.
Os estados do Amazonas, Pará e Acre lideram a
atualmente a produção da semente.
Copaíba
Utilizado na produção de cosmético e de medicamentos, o óleo de copaíba é retirado do tronco da árvore. A planta é encontrada em todo o território amazônico, mas em pouca quantidade: a média é de cerca de uma árvore para cada hectare (área equivalente a um campo de futebol). Se não for feito com cuidado, o furo no tronco da copaíba pode matar a árvore.
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