No município de Pacajá, no sudeste do Pará, uma área de floresta equivalente a 90 campos de futebol é destruída a cada dia.
Os últimos números de desmatamento registrados pelo Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que o
município é o que mais desmatou a Amazônia no mês de julho.
Foram 27 quilômetros quadrados de devastação.
O internauta Isaías Galvão, que tem uma fazenda na
região, denuncia a ação de quadrilhas conhecidas como
“sem-tora”: posseiros que invadem terras e vendem as árvores
para madeireiros. Ele reclama que parte de suas terras estão
sendo exploradas ilegalmente por esses grupos.
Na semana passada, uma equipe do Fantástico esteve
presente no local e confirmou a retirada ilegal de madeira.
Caminhões carregados de toras circulavam pelas estradas de terra
sem a documentação necessária.
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Segundo Isaías, lotes de 100 hectares são vendidos
por R$ 200,00 por grileiros da região. Quem compra essa terra
vende toda madeira do terreno por R$ 2 mil, e depois abandona a
terra. “Os sem-tora não chega a ficar um mês no lugar”, relata.
O fazendeiro, que também trabalha com exploração de madeira,
afirma que só retira árvores da floresta com a autorização do
Ibama, e que a ação dos sem-tora gera uma concorrência desleal.
“Enquanto gastamos um bom dinheiro fazendo o plano de manejo,
para fazer a exploração correta, eles vêm e levam a madeira de
forma ilegal.”, reclama.
Ouvida pela reportagem do Fantástico, a
superintendência regional do Ibama informou que a fiscalização
não consegue coibir todos os crimes da região por falta de
pessoal, e que a contratação de novos servidores já foi
anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente.
Desmatamento no mapa
Mapa interativo mostra pontos de devastamento nos arredores de Pacajá (PA)
Os pontos de desmatamento de Pacajá podem ser vistos por meio do mapa interativo do Globo Amazônia, que mostra os pontos de destruição da floresta. Em julho, os satélites do Inpe, que alimentam o mapa, detectaram 26 focos de destruição nessa região.
Se você tem mais informações sobre a ação dos sem-tora na
Amazônia, envie um e-mail para globoamazonia@globo.com.
Não se esqueça de colocar seu nome, telefone, e-mail e, se
possível, fotos ou vídeos.

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