O Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou, nesta sexta-feira (19), uma revisão da lista oficial das espécies vegetais ameaçadas de extinção. São 472 plantas, das quais 24 são nativas do bioma amazônico. Entre elas estão o mogno, a castanha-do-Brasil – também conhecida como castanha-do-Pará – e o pau-rosa.
A região mais ameaçada é a mata atlântica, com 276 espécies,
seguida pelo cerrado, com 131, e pela caatinga, que tem 46
vegetais em perigo. A lista é quatro vezes maior que a anterior,
publicada em 1992, que reunia 108 espécies. Nenhuma planta que
estava ameaçada de extinção nessa época saiu da lista.
De acordo com nota publicada pelo ministério, o
aumento das espécies ameaçadas se deve à pressão exercida pelo
homem sobre as florestas e ao maior conhecimento científico
sobre a flora brasileira.
O primeiro efeito prático da publicação da lista é
a proibição da coleta desses vegetais. A partir de agora,
qualquer manuseio dessas espécies tem que ser autorizado pelo
Ibama. O MMA também anunciou que planejará, nos próximos cinco
anos, ações para que essas espécies deixem de ser ameaçadas.
Desentendimento
A elaboração da lista de espécies em extinção foi
encomendada pelo governo à Fundação Biodiversitas, uma ONG
especializada em realizar estudos sobre a conservação da fauna e
da flora. De acordo com a fundação, 290 biólogos trabalharam na
elaboração da lista, que foi entregue no final de 2005 ao MMA, e
continha 1495 espécies ameaçadas, das quais 60 pertenciam à
Amazônia.
A relação publicada nesta sexta-feira, contudo,
relaciona apenas um terço dessas plantas como ameaçadas de
extinção. A justificativa do ministério é que não há informações
científicas suficientes – dados como distribuição geográfica e
riscos sofridos – para classificar as espécies restantes como
ameaçadas de extinção. Elas foram relacionadas no documento
oficial em uma lista à parte, onde são descritas como “com
deficiência de dados”, e não estão sujeitas às restrições
impostas às outras espécies.
Em nota divulgada à imprensa, a Biodiversitas
afirma que utilizou no estudo os critérios da IUCN (União
Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos
Naturais), que são internacionalmente aceitos, e que não
reconhece a lista oficial. “A nova lista de plantas ameaçadas de
extinção no Brasil não corresponde à lista indicada pela
comunidade científica brasileira, coordenada pela
Biodiversitas”, diz o documento.

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