Em uma travessa da rodovia Transamazônica, no município de
Medicilândia (PA), um foco de desmatamento chama a atenção no
mapa interativo do Globo Amazônia. Mais de 33 mil internautas
protestaram contra esse ponto de destruição, cuja área equivale
a cerca de 50 campos de futebol.
Foi nessa região que nove fiscais do Ibama,
escoltados por 26 agentes da Polícia Federal e da Força de
Segurança Nacional, derrubaram quatro acampamentos clandestinos
e detiveram sete pessoas envolvidas com grilagem de terra e desmatamento.
Quando chegam a pontos de desmatamento indicado pelos satélites, fiscais têm dificuldade de encontrar responsáveis pela derrubada da mata. (Foto: Ibama / Divulgação)
O grupo, que integra a operação “Arco de fogo”, da Polícia Federal, e “Guardiões da Amazônia”, do Ibama, partiu de Altamira (PA) em 15 de setembro, e permaneceu na mata até o dia 18. A lista de multas aplicadas e de material apreendido é extensa: cinco tratores, quatro caminhões, sete motosserras, seis motos e R$ 832 mil reais em multas.
Nas imagens de satélite do mapa interativo do Globo Amazônia, que
mostra a destruição da floresta em tempo real, já se vê que a
locomoção na região entre Altamira e Uruará, onde ocorreu a
fiscalização, não é tarefa das mais fáceis. A rodovia
Transamazônica não é asfaltada nesse trecho, e é cortada por
centenas de estradas de terra que entram mata adentro. “É o
efeito espinha de peixe”, relata Bruno Versiani, coordenador da
operação.
O fiscal explica que os dados de desmatamento
fornecidos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais), os mesmos utilizados no mapa interativo, servem como
base para definir os locais que serão visitados.
Quando chegam na região, contudo, não é fácil de
encontrar os responsáveis pela derrubada da mata. “Às vezes
achamos desmate abandonado e não conseguimos identificar o
responsável. Isso acontece muito. E a maioria das terras não tem
titulação, é invasão de terra pública”, relata Versiani.
Outra preocupação do fiscal é a segurança. O
histórico de conflitos por terra e a ação de grupos armados
exigem reforço. “Como a fomos acompanhados por um contingente
policial muito grande, conseguimos nos impor. Mas aconteceram
muitas fugas no meio do mato”, conta.
Reincidência
A presença da polícia e do Ibama nas regiões de altos índices de
desmatamento afugenta os criminosos ambientais. Quando a equipe
parte, contudo, os problemas voltam a ocorrer. Foi o que
aconteceu em Pacajá, no sudeste do Pará. O município, segundo
dados do Inpe, é o campeão de destruição da floresta no mês de
julho.
Apenas nessa cidade, de acordo com o Ibama,
operações realizadas nos últimos meses apreenderam mais de 2 mil
metros cúbicos de madeira ilegal, destruíram mais de 40 fornos
de carvão e embargaram 961 hectares de área desmatada.
Um internauta que tem uma fazenda na região,
contudo, denunciou ao Globo Amazônia a volta das madeireiras
ilegais depois que os fiscais deixaram o município. Uma equipe
do Fantástico foi
enviada ao local e comprovou o crime: caminhões carregados com
toras de madeira, sem licença ambiental, circulavam à luz do
dia.
Se você vive na Amazônia e tem denúncias de crimes
ambientais, envie um e-mail para o Globo Amazônia:
globoamazonia@globo.com
. Não esqueça de colocar seu nome, telefone e, se possível
fotos ou vídeos.

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