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30/09/08 - 18h35 - Atualizado em 01/10/08 - 00h01

Lista divulgada por Minc tem 'erros crassos', diz ministro Guilherme Cassel

Assentamentos do Incra são feitos em áreas já degradadas, alega ministro.
Carlos Minc deu prazo de 20 dias para Ibama analisar multas contra o Incra.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, classificou de “injustiça brutal” atribuir aos assentados pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) na Amazônia o desmatamento na região.

Nesta segunda-feira (29), o ministro do Meio ambiente, Carlos Minc, apresentou uma lista das cem maiores áreas desmatadas autuadas pelo Ibama desde 2006 (leia reportagem). O Incra aparece nas seis primeiras posições e, no total, os oito assentamentos do instituto citados teriam desmatado 228.208,649 hectares.

“A forma como essa lista foi divulgada foi errada, há erros crassos ali”, disse ao Globo Amazônia o ministro do Desenvolvimento Agrário. Segundo Cassel, que se encontrou mais cedo nesta terça-feira (30) com Minc, o ministro do Meio Ambiente “admitiu que não são os assentamentos os responsáveis pelo desmatamento”.

 

Durante o encontro, Minc anunciou que o Ibama teria o prazo de 20 dias para analisar os recursos do Incra contra as multas que figuram na lista. "Como foram levantadas várias questões, o que é legítimo, o Ibama irá avaliar ponto a ponto", disse Minc, segundo nota divulgada por seu ministério. 

O anúncio foi feito em Brasília durante solenidade de assinatura de Portaria Interministerial, entre o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que reconhece as populações tradicionais das Reservas Extrativistas (Resex), Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e Florestas Nacionais (Flonas) como beneficiárias do Programa Nacional de Reforma Agrária.

 

Áreas degradadas

 

Cassel, assim como já havia feito o presidente do Incra, Rolf Hackbart, argumentou que os desmatamentos eram anteriores ao informado na lista do Ibama e que os assentamentos foram criados em áreas já degradadas.

“Como são feitos os assentamentos na Amazônia? Sempre o Incra retoma áreas degradadas e faz o assentamento com um projeto de recuperação”, explicou. “O assentamento de reforma agrária começa, por assim dizer, com uma herança maldita. Não é razoável que nessas situações se tente jogar sobre os assentados a culpa pelo desmatamento”.

Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, ainda se os assentados tivessem sido os responsáveis pelos desmatamentos, colocá-los na lista de maiores desmatadores seria injusto. “Nessa lista [divulgada pelo ministro do Meio Ambiente], a média de desmatamento por família assentada é de 30 hectares por assentado. Se você pegar as propriedades privadas, dá 3210 hectares”, compara.

 

'Incra da Amazônia'

 

Questionado sobre o que acha da proposta do ministro Extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, de criar uma nova instituição para agilizar a regularização fundiária na Amazônia, Cassel disse acreditar que tal idéia parte “de um diagnóstico errado”. “Criou-se um cipoal legal que impede a legalização. O problema não é o Incra ou os orgãos estaduais fazerem a regularização. Tem que mudar as leis. Se mantiverem as mesmas leis, podem criar três novos institutos, que não vai resolver”, concluiu.

 

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