saiba mais
Para o diretor da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi, os dados
de desmatamento divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe), que apontam aumento da devastação no mês de
agosto (leia
reportagem), não surpreendem e nem devem ser analisados
isoladamente. Segundo Smeraldi, eles devem ser analisados no
conjunto dos últimos meses para servir de subsídio para o
planejamento de políticas que permitam evitar novos
desmatamentos.
“Para ter uma noção de tendência, tem que se olhar
no mínimo para a média dos últimos quatro ou cinco meses. Daí se
pode perceber a evolução dinâmica da coisa”, comenta Smeraldi.
O ambientalista observa que, mais que se alarmar
com o aumento de 113,6% que houve no índice do Inpe, as pessoas
devem se questionar sobre as políticas que estão por trás disso.
“As áreas que desmatadas agora são resultado de decisões tomadas
muitos meses atrás, assim como já podemos identificar no mapa
aquelas que serão devastadas futuramente”, diz. Segundo
Smeraldi, as áreas próximas a estradas e assentamentos são as
mais ameaçadas.
Smeraldi também demonstrou preocupação com
iniciativas em estudo, como o corte de financiamento a
pecuaristas em municípios onde há mais desmatamento. “Esses
produtores vão tirar seu gado desses municípios e levar a
outros, vizinhos, gerando desmatamento ali.”
Sobre o caso específico do Pará, estado que mais
uma vez registrou a maior área devastada, o ambientalista
ponderou que um problema local grave são os planos de manejo que
estão emperrados entre as autoridades ambientais e fundiárias do
governo, o que acaba empurrando o setor madeireiro para a
ilegalidade. De 30 de julho a 30 de agosto, foram registrados
435,3 km² de desmatamentos nessa unidade da federação.

O Portal de Notcias da Globo