Dados divulgados na última segunda-feira (29) pelo Inpe
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que o Pará
foi o estado onde mais houve desmatamento no mês de agosto:
foram 435 km² de florestas derrubadas na região.
Para conter a onda de destruição da floresta, o
governo do Pará pretende investir na fiscalização das estradas,
das serrarias e das indústrias de madeira. “O que vamos tentar
fazer é identificar os centros consumidores dessa madeira, o
fluxo em que ela se movimenta, para tentarmos estrangular esses
consumidores. Enquanto houver uma rede estruturada de
comercialização, combater em campo é uma tarefa muito difícil.”,
revela Valmir Ortega, secretário do Meio Ambiente do Pará.
De acordo com Ortega, a fiscalização realizada
diretamente nos pontos de desmatamento é muito cara, e muitas
vezes ineficaz. “Um dos problemas que enfrentamos na região é a
extensão territorial. Entre a capital e a região de Pacajá
[município que mais desmatou em julho], são quase mil
quilômetros. É como se, de São Paulo, você tentasse monitorar
algo em Brasília. Além disso, são regiões que, para andar cem
quilômetros, demoramos três, às vezes seis horas. O custo dessas
operações é brutal”, afirma.
Em relação à medição realizada pelo Inpe, o
secretário defende que os dados de desmatamento de agosto não
refletem necessariamente o que aconteceu naquele mês, já que o
estado estava coberto de nuvens no começo do ano, e matas
derrubadas em meses anteriores estão começando a ser
identificadas agora. “No acumulado do ano, temos 1.500
quilômetros quadrados [de desmatamento]. É um número alto, mas
abaixo do ano passado”, argumenta.
Focos de devastação
Uma das regiões que mais sofre com desmatamento,
segundo os dados do Inpe, está localizada no sudoeste do Pará,
ao norte e oeste da cidade de Marabá, nos municípios de Novo
Repartimento e Pacajá. No mapa interativo do Globo Amazônia, que
mostra a destruição da floresta em tempo real, é possível ver
centenas de focos de desmatamento nesse local.
Aprenda a vigiar a floresta utilizando o mapa do
Globo Amazônia.
Segundo o secretário, a população dessa região tem
crescido muito, as florestas ainda são abundantes, e há o
entroncamento entre rodovias que levam aos centros regionais do
Pará, como Altamira e Marabá. “Em Pacajá e Novo Repartimento,
temos dificuldade em estabelecer uma fiscalização permanente,
pois há muitas estradas, muitos canais para vazamento de madeira
ilegal. Você consegue reter isso durante a semana em que uma
operação [de fiscalização] está acontecendo, mas se virar as
costas a situação recrudesce”, afirma.
Ortega revela que as fiscalizações constantes têm
gerado desemprego. “Nossas estimativas, que ainda são
grosseiras, são de que a atividade florestal ilegal no estado
movimente cerca de dois bilhões de reais por ano, e empregue
mais de 200 mil pessoas”, calcula. “Em Tailândia, em um mês e
meio de operação, foi necessário criar frentes de trabalho para
contratar pessoas em uma situação emergencial. Esse problema se
estende pelo Pará inteiro”, conta.
A solução, segundo o secretário, pode surgir na
restauração das áreas degradadas. O estado pretende estimular os
fazendeiros a recuperarem as matas devastadas em suas fazendas,
e isso poderá gerar empregos. “Nossa meta é induzir a
restauração de 1 milhão de hectares nos próximos cinco anos,
gerando 100 mil empregos”, afirma.
Se você mora no Pará e tem histórias, denúncias, fotos ou vídeos de desrespeito à floresta, envie para o Globo Amazônia: globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome e telefone.

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