O trabalho é pesado: no meio do mato, batendo o coco em um
machado, as mulheres conhecidas como "quebradeiras"
retiram a amêndoa do babaçu. Depois de mais de oito horas de
trabalho, o resultado muitas vezes não passa de R$ 6,00. O quilo
da amêndoa é vendido por um real.
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O coco babaçu está na lista dos produtos
extrativistas que terão preço mínimo estipulado pelo governo. A
idéia é favorecer atividades desenvolvidas por comunidades
tradicionais, gerando renda e ajudando a preservar o meio
ambiente. Apenas no Maranhão, cerca de 80 mil mulheres serão
beneficiadas pela medida.
A quebradeira de coco Maria Celeste Ferreira
reclama do preço atual. “Se eu quebrar seis quilos de coco não
dá para levar três quilos de arroz. Então eu compro o arroz e
cadê as outras coisas? Preciso do sal, do sabão, do café, do
açúcar”, disse.
Com o preço mínimo, as quebradeiras poderão vender
o babaçu para o governo por R$ 1,46, valor bem maior do que o
praticado nos comércios do Maranhão.
Diferentes utilidades
Quase tudo do babaçu pode ser aproveitado e
transformado em fonte de renda. A casca que sai da quebra vai
para o fogo e vira carvão, que é vendido para as indústrias
siderúrgicas por R$ 7,00 o saco.
O quebrador de coco Gregório Ferreira aumenta a
renda da família com a extração do mesocarpo do babaçu – massa
rica em amido e sais minerais. Depois de refinada, essa parte do
coco vai para a merenda escolar. "A extração do mesocarpo
me dá uma renda de R$ 400,00 por mês”, contou.
Trinta por cento da amêndoa de babaçu extraída
pelas mulheres de Itapecuru-Mirim (MA) tem como destino uma
fábrica de sabonete, gerida por uma cooperativa de quebradeiras
de coco. A palha da palmeira também é aproveitada, e vira
artesanato como peças decorativas e utilitárias.
"Tem companheiras que hoje estão com duas ou
três atividades do babaçu. Então, agregou mais valor ao babaçu.
É uma diferença muito grande hoje a forma que a gente vê o
babaçu e como ele era visto há 20 anos", explicou Domingas
Marques, presidente da Associação dos Quebradores de Coco do
Vale do Itapecuru.

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