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03/10/08 - 09h40 - Atualizado em 03/10/08 - 10h24

Floresta terá 'portaria eletrônica' para eliminar 'boi pirata'

Área protegida em Rondônia tem mais de 30 mil cabeças de gado.
Fiscais do Ibama utilizarão a internet para controlar fluxo de pessoas.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Antenas fornecerão internet de banda larga para acesso ao cadastro de moradores da Floresta Nacinal. (Foto: Sipam / Divulgação)

O Ibama pretende usar de alta tecnologia para retirar mais de 30 mil cabeças de gado criadas ilegalmente na Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia. Utilizando antenas cedidas pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), fiscais irão controlar pela internet o fluxo de pessoas na unidade de conservação.

De acordo com George Porto Ferreira, coordenador geral de zoneamento e monitoramento do Ibama, a idéia é impedir que novas invasões ocorram na terra da União, permitindo que os 1.500 habitantes da área protegida sejam removidos aos poucos.

“As antenas serão instaladas nos quatro principais acessos da Flona [Floresta Nacional]. Elas darão acesso à internet e telefone. Precisamos controlar a entrada e saída das pessoas que vivem lá dentro, e isso será feito com bancos de dados integrados, hospedados no Sipam em Porto Velho”, revela. “O controle dos acessos passará a ser permanente. Serão construídas guaritas para isso.”

Segundo Ferreira, a operação, que está prevista para o final de outubro, fará um levantamento de quais famílias podem ser beneficiadas pela reforma agrária, e as pessoas só serão retiradas quando forem assentadas. As que não encaixarem nesse perfil, explica, sairão naturalmente, pois não haverá mais alternativas econômicas no local quando forem paralisadas as atividades de criação de gado e de retirada de madeira. 

 

Situação crítica


A floresta de Bom Futuro é uma das áreas protegidas mais danificadas do Brasil. De acordo com o Ibama, cerca de um quarto das terras de lá já se transformaram em pastagens.

Retirar as dezenas de milhares de cabeças de gado da área não será tarefa fácil, considerando a experiência do Ministério do Meio Ambiente com o chamado “Boi Pirata”. Após apreender 3.046 animais que eram criados ilegalmente dentro de uma unidade de conservação no Pará, o órgão tentou realizar três leilões, que não tiveram êxito, por falta de compradores. Na quarta tentativa, os bois foram vendidos pela metade do valor mínimo estabelecido no primeiro leilão. 

 

Energia solar


Hoje, há cerca de 670 antenas do Sipam espalhadas pela Amazônia. Alimentadas por energia solar, elas são utilizadas para fornecer comunicação a locais remotos, e oferecem internet de banda larga e telefone. Um dos maiores usuários desses equipamentos é Funai (Fundação Nacional do Índio), que tem 143 antenas instaladas em tribos indígenas.

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