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06/10/08 - 11h52 - Atualizado em 06/10/08 - 11h56

Índios reivindicam mais participação nas decisões sobre a Amazônia

Congresso em Barcelona reúne lideranças indígenas de vários países.
Povos querem recompensa por manter matas preservadas.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Reunidos no Congresso Mundial da Natureza, organizado pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) em Barcelona, na Espanha, índios dos países que abrigam a floresta amazônica reivindicam mais participação nas grandes decisões sobre a floresta. Eles querem ser ouvidos no planejamento de obras de infra-estrutura nas discussão sobre a aplicação de grandes investimentos, como o Fundo Amazônia.

“As hidrelétricas dentro das terras indígenas, por exemplo, para nós são um atropelo, um desrespeito. A gente vê alguns empreendimentos feitos dentro e fora das terras indígenas, sem que os índios sejam consultados previamente, sem perguntarem se isso vai contribuir para a qualidade de vida das populações”, reclama o Marcos Apurinã, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), e um dos representantes brasileiros no congresso.

Uma das maiores preocupações de Apurinã e de lideranças indígenas de países vizinhos, como Guiana, Colômbia e Bolívia, é a implementação de mecanismos internacionais que remuneram países por manterem florestas preservadas. O principal deles é o REDD (Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação), em que há um pagamento pela quantidade de gás carbônico que a floresta deixa de emitir por não ser desmatada.

"Vamos reivindicar que, as populações indígenas que preservam as florestas também recebam por isso. Essas compensações ambientais, compensação de carbono, eles [os habitantes das tribos] não entendem essa língua, mas entendem o quanto é importante uma floresta”, afirma o líder indígena. 

 

Fundo Amazônia

 

A Coiab é uma das instituições que têm assento no conselho que define a aplicação dos recursos do Fundo Amazônia, que pretende captar contribuições voluntárias para investir na redução dos desmatamentos.

Para Apurinã, esse é um reconhecimento da importância dos povos indígenas brasileiros, mas ainda é insuficiente. “É um início, porém eu entendo que estamos sendo incluídos tarde demais. Queremos convencer o governo brasileiro de que devemos ser incluídos dentro da política de conservação das florestas”, reivindica.

O Congresso Mundial da Natureza começou neste domingo (5) e segue até o dia 14 de outubro. Ele reúne cerca de 8 mil pessoas, entre governos, empresas, estudiosos e ambientalistas, e tem como objetivo encontrar soluções para o desenvolvimento sustentável.

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