O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tabaporã (MT), Jurandir Joaquim da Silva, que representa os trabalhadores do assentamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que encabeça a lista de desmatamentos divulgada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou o fato de os assentados serem mostrados como desmatadores.
Ele disse que para os trabalhadores rurais é praticamente
impossível respeitar a reserva legal de 80% imposta na região
amazônica, já que as famílias recebem lotes de apenas 60
hectares. A lei obriga os donos de terras, independente de seu
tamanho, a conservarem a mata nativa nessa porcentagem de suas
propriedades. Segundo Jurandir, esse é o “maior crime cometido
contra o trabalhador rural”.
Reportagem do Fantástico exibida neste domingo (6)
mostrou que trabalhadores do assentamento de Tabaporã tinham
deixado a lavoura de lado para criar gado. A pecuária os fez
derrubar toda a mata de seus sítios.
Jurandir admitiu a existência de desmatamento
acima do permitido pela lei, mas alertou que o problema acontece
também nas fazendas da região. “Por que não mostram as fazendas
de políticos desmatadas?”, questionou.
De acordo com o sindicalista, se não forem levadas
alternativas aos trabalhadores rurais do município, nada vai
mudar. “Tem que fazer a política pública acontecer e chegar ao
município. Tem que mostrar aos trabalhadores que o meio ambiente
é importante”.
Jurandir disse ainda que há uma reunião marcada
pelo Incra para os dias 19 e 20 para discutir a conservação
ambiental com os assentados. Para ele, uma solução possível para
evitar a devastação total é uma mudança na lei que permitisse
que a reserva de mata fosse de 20%. “Do contrário, pode ter
certeza que o Mato Grosso vai causar um grande transtorno,
porque ninguém vai conseguir [respeitar a reserva prevista em lei].”
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