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06/10/08 - 15h06 - Atualizado em 06/10/08 - 16h03

Reserva legal de 80% é inviável, diz representante de assentados de MT

Segundo sindicato de trabalhadores, lotes do Incra são pequenos demais.
Desmatamento em assentamento do Incra foi mostrado pelo Fantástico.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tabaporã (MT), Jurandir Joaquim da Silva, que representa os trabalhadores do assentamento do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que encabeça a lista de desmatamentos divulgada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou o fato de os assentados serem mostrados como desmatadores.

 

Ele disse que para os trabalhadores rurais é praticamente impossível respeitar a reserva legal de 80% imposta na região amazônica, já que as famílias recebem lotes de apenas 60 hectares. A lei obriga os donos de terras, independente de seu tamanho, a conservarem a mata nativa nessa porcentagem de suas propriedades. Segundo Jurandir,  esse é o “maior crime cometido contra o trabalhador rural”.

Reportagem do Fantástico exibida neste domingo (6) mostrou que trabalhadores do assentamento de Tabaporã tinham deixado a lavoura de lado para criar gado. A pecuária os fez derrubar toda a mata de seus sítios.

Jurandir admitiu a existência de desmatamento acima do permitido pela lei, mas alertou que o problema acontece também nas fazendas da região. “Por que não mostram as fazendas de políticos desmatadas?”, questionou.

De acordo com o sindicalista, se não forem levadas alternativas aos trabalhadores rurais do município, nada vai mudar. “Tem que fazer a política pública acontecer e chegar ao município. Tem que mostrar aos trabalhadores que o meio ambiente é importante”.

Jurandir disse ainda que há uma reunião marcada pelo Incra para os dias 19 e 20 para discutir a conservação ambiental com os assentados. Para ele, uma solução possível para evitar a devastação total é uma mudança na lei que permitisse que a reserva de mata fosse de 20%. “Do contrário, pode ter certeza que o Mato Grosso vai causar um grande transtorno, porque ninguém vai conseguir [respeitar a reserva prevista em lei].” 

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