Desde a semana passada, quando o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, apresentou uma lista dos maiores desmatadores do Brasil encabeçada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a participação dos assentamentos na destruição da floresta amazônica tem sido alvo de polêmica.
A organização não-governamental Instituto do Homem e Meio
Ambiente da Amazônia (Imazon) acompanha a questão por meio de
imagens de satélite e confirma que, ainda que os assentamentos
não sejam os maiores culpados pela devastação, sua participação
é considerável.
No último relatório sobre desmatamento da
organização, referente ao mês de agosto, eles foram responsáveis
por 10,5% dos 102 quilômetros quadrados de destruição
registrados na Amazônia Legal.
“O desmatamento nos assentamentos é expressivo. No
acumulado, quase 20% ocorridos dentro da Amazônia estão em áreas
de reforma agrária. Se formos medir degradação [florestal], é
pior. A situação dos assentamentos é preocupante”, aponta
Adalberto Veríssimo, pesquisador do instituto.
Segundo ele, “o desmatamento continua se mantendo
[nos assentamentos] de maneira expressiva. Ele ocorre muito mais
do que se deveria esperar, principalmente quando o Incra fala
que agora vai manter a floresta”, observa. De acordo
com Veríssimo, no entanto, as autoridades de reforma agrária têm
uma dura missão pela frente: “É difícil parar o desmatamento,
pois ele é feito por pequenos proprietários. Por isso, muita
gente fora dos assentamentos se aproveita disso para comprar madeira”.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme
Cassel, a cuja pasta o Incra está subordinado, ordenou nesta
segunda-feira (6) uma varredura nos oito assentamentos citados
no ranking de desmatadores divulgado por Carlos Minc. Em um
deles, em Tabaporã (MT), fiscais do Incra fecharam algumas
serrarias, uma delas flagrada pela equipe de reportagem do
Fantástico na semana passada. “Acho correto aproveitarmos o
momento para cobrar do Incra uma estratégia para os
assentamentos”, conclui Veríssimo.

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