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07/10/08 - 10h46 - Atualizado em 07/10/08 - 10h46

Imazon: assentamentos são responsáveis por 20% do desmatamento na Amazônia

No mês de agosto, eles responderam por 10% do total, diz pesquisador.
'Situação dos assentamentos é preocupante', afirma Adalberto Veríssimo.

Dennis Barbosa e Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Desde a semana passada, quando o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, apresentou uma lista dos maiores desmatadores do Brasil encabeçada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a participação dos assentamentos na destruição da floresta amazônica tem sido alvo de polêmica.

 

A organização não-governamental Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) acompanha a questão por meio de imagens de satélite e confirma que, ainda que os assentamentos não sejam os maiores culpados pela devastação, sua participação é considerável.

No último relatório sobre desmatamento da organização, referente ao mês de agosto, eles foram responsáveis por 10,5% dos 102 quilômetros quadrados de destruição registrados na Amazônia Legal.

“O desmatamento nos assentamentos é expressivo. No acumulado, quase 20% ocorridos dentro da Amazônia estão em áreas de reforma agrária. Se formos medir degradação [florestal], é pior. A situação dos assentamentos é preocupante”, aponta Adalberto Veríssimo, pesquisador do instituto.

Segundo ele, “o desmatamento continua se mantendo [nos assentamentos] de maneira expressiva. Ele ocorre muito mais do que se deveria esperar, principalmente quando o Incra fala que agora vai manter a floresta”, observa. De acordo com Veríssimo, no entanto, as autoridades de reforma agrária têm uma dura missão pela frente: “É difícil parar o desmatamento, pois ele é feito por pequenos proprietários. Por isso, muita gente fora dos assentamentos se aproveita disso para comprar madeira”.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, a cuja pasta o Incra está subordinado, ordenou nesta segunda-feira (6) uma varredura nos oito assentamentos citados no ranking de desmatadores divulgado por Carlos Minc. Em um deles, em Tabaporã (MT), fiscais do Incra fecharam algumas serrarias, uma delas flagrada pela equipe de reportagem do Fantástico na semana passada. “Acho correto aproveitarmos o momento para cobrar do Incra uma estratégia para os assentamentos”, conclui Veríssimo.

 

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