O esforço de centenas de milhares de internautas que protestam contra queimadas e desmatamentos no mapa interativo do Globo Amazônia tem ajudado os fiscais do Ibama de Santarém (PA) a realizar o seu trabalho. É o que relata o gerente executivo do Ibama local, Daniel Cohenca.
“Para convencermos as pessoas de que a preservação é importante,
precisamos de uma pressão externa”, conta. Segundo o gerente,
além das estradas difíceis de transitar e da falta de recursos,
uma das dificuldades para fiscalizar a região é enfrentar a
idéia de que o desmatamento traz desenvolvimento. E para vencer
esse obstáculo os 25 milhões de protestos registrados pelos
internautas no Globo Amazônia têm ajudado. “A população fica
mais indignada, as pessoas vêm conversar com a gente”, relata.
A região ao sul do município de Santarém, no oeste
do Pará, é uma das que mais sofre com o desmatamento. Cortada
pela BR-163, que liga Santarém a Cuiabá, a área é pontilhada por
marcas de devastação no mapa interativo, que mostra a destruição
da floresta em tempo real.
Veja como vigiar a floresta utilizando o mapa do Globo Amazônia
Um ponto de desmatamento no município de Itaituba,
que fica nessa região, é o que recebeu mais protestos dos
internautas neste mês. Em menos de dez dias, mais de 12 mil
pessoas reclamaram dessa clareira na floresta. O segundo ponto
onde mais houve manifestações também está ali ao lado, em
Rurópolis. Nesse local, 11,5 mil usuários do mapa deixaram suas
manifestações virtuais.
Apreensão de madeira
No início desta semana, uma fiscalização realizada pela operação
Guardiões da Amazônia embargou uma serraria e apreendeu 828
metros cúbicos de madeira sem documentação no município de Novo
Progresso (PA), que fica às margens da BR-163.
Segundo Cohenca, parte da madeira ilegal retirada
nessa região é transportada pela rodovia para o sul, até chegar
aos estados da região Sudeste. Outra parte chega até os portos
de Itaituba e de Santarém, ao norte, e tem a Europa como
destino.
O gerente explica que uma das formas de
“esquentar” a madeira – conseguir documentos falsos para poder
transporta-la legalmente – acontece quando as serrarias compram
papéis comprovando que a madeira foi retirada de áreas em que o
desmatamento é permitido, dificultando a fiscalização.
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