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08/10/08 - 15h57 - Atualizado em 08/10/08 - 15h57

Fornos ilegais transformam Amazônia em carvão no Pará

Carvão é utilizado em siderúrgicas para produção de ferro-gusa.
Cerca de 30 mil fornos funcionam de forma irregular.

Do Globo Amazônia, com informações do Jornal Hoje

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A paisagem tomada pela fumaça faz parte do cotidiano na área rural de Goianésia do Pará. Nesse município, dia e noite os fornos queimam as sobras de árvores derrubadas na Amazônia para produzir carvão. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema), existem hoje 5 mil fornos legalizados e outros 30 mil irregulares em todo o estado.

Ouvido pelo Jornal Hoje, o dono de uma carvoaria, que não quis se identificar, admitiu a irregularidade: “Aqui tenho 16 fornos, tudo ilegal”.

 

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Um motorista que carregava seu caminhão com carvão afirma que a carga é transportada livremente. “O carvão é ilegal. Não tem documento nenhum, mas vai pra Marabá”, diz. “Para entrar na siderúrgica, não precisa da guia florestal”.

Em Marabá, 11 siderúrgicas recebem todos os dias toneladas de minério de Carajás, a maior mina de ferro do mundo. Todas elas dependem do carvão para produzir ferro gusa, a matéria prima do aço.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Pará (Sindiferpa), Afonso Albuquerque, nega que as indústrias utilizem carvão irregular. “As origens são várias, mas todas elas com amparo legal”, afirma.

Já o secretário estadual de Meio Ambiente, Valmir Ortega, diz que são comuns os flagrantes de uso de matéria-prima ilegal. “Nós já tivemos situações de multa em praticamente quase todas as empresas. Agora em 2008 estamos ampliando os mecanismos de controle e intensificando a fiscalização”, relata.

De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 3,5 milhões de árvores por ano são transformadas em carvão para abastecer as siderúrgicas do Pará. “A única maneira hoje de se produzir carvão na Amazônia em larga escala é através do desmatamento da floresta nativa. Ainda não há reflorestamento suficiente para abastecer a indústria de ferro-gusa”, informa Adalberto Veríssimo, pesquisador do instituto.

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