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10/10/08 - 11h37 - Atualizado em 10/10/08 - 14h27

Pressionados por madeireiras, índios peruanos fogem para o Brasil

'Eles estão numa situação de vida ou morte', diz líder indígena.
Tribos brasileiras temem que invasão de suas terras cause conflitos.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, no Rio de Janeiro

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Líderes Ashaninka temem que invasão de terras indígenas brasileiras cause conflitos entre etnias. (Foto: Iberê Thenório)

A ação de madeireiras peruanas em local próximo à fronteira do Brasil tem colocado em risco comunidades de índios brasileiros. O alerta foi dado pelo líder indígena Bekni Ashaninka, em entrevista ao Globo Amazônia, durante encontro da Rede Povos da Floresta, no Rio de Janeiro.

De acordo com Benki, que vive na tribo Apiwtxa, no Acre, o avanço da indústria madeireira no Peru tem feito com que comunidades isoladas, que viviam pacificamente na região, invadam terras indígenas de outras etnias, provocando conflitos. “Eles estão numa situação de vida ou morte. Ou brigam com outros povos, ou entram em confronto com as madeireiras”, informa.

 

Benki conta que grande parte da madeira explorada naquela região do Peru provém de terras indígenas. “Eles oferecem dinheiro pela madeira, e as comunidades ficam dependentes disso. É causado um impacto social que destrói a cultura, tira o equilíbrio das comunidades. Aí entra a bebida, a prostituição”, revela. 

 

Denúncias na internet


Para defender suas terras da destruição, a comunidade Apiwtxa tem lançado mão de uma arma tecnológica: a comunicação via internet. Um computador movido a energia solar e uma antena para conexão permitem que a tribo, que fica em uma região de difícil acesso, possa denunciar os problemas da região.

“Queremos que as pessoas possam fiscalizar o seu próprio território”, afirma Moisés Ashaninka, irmão de Benki. “A internet já permitiu que criássemos um grupo de trabalho transfronteiriço para discutir os problemas daqui”.

A idéia de utilizar a Internet para conectar e defender comunidades isoladas é o que move a Rede de Povos da Floresta, formada por índios, afro-descendentes, populações ribeirinhas e seringueiros. Com o apoio do ONG Comitê para Democratização da Informática (CDI), o grupo já instalou cinco postos de comunicação como o dos Ashaninka.

Nesta quinta-feira (9), no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, os idealizadores da rede se reuniram com estudiosos e ambientalistas para encontrar formas de aumentar o alcance de suas ações.

“Fico muito feliz de hoje podermos fazer um ‘empate’ virtual, utilizando a tecnologia”, comemora o líder indígena Ailton Krenak. Os ‘empates’ foram protestos realizados nas décadas de 1970 e 1980 por seringueiros liderados por Chico Mendes, em que grupos de pessoas impediam pacificamente a ação de madeireiras nos seringais.

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