A cutia, ao enterrar sementes para armazená-las, trabalha ativamente para plantar novas árvores. (Foto: Salix/Creativ Commons)
Pesquisa do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e da Universidade
Federal do Pará (UFPA) indica que mamíferos que visitam
clareiras abertas pelo homem na floresta ajudam a recompor a
mata ao trazerem sementes e eliminarem certos tipos de plantas
que crescem nas áreas devastadas.
O estudo foi realizado pela mestranda Fernanda
Santos e orientada pela professora Ana Cristina Mendes na região
do campo de produção petrolífera do Urucu, no município de Coari
(AM), operado pela Petrobras. Ali são abertas clareiras no meio
da mata para a prospecção de petróleo e gás natural.
As pesquisadoras montaram plataformas nas áreas
abertas para vigiar os animais que apareciam ali, a fim de
monitorar seu comportamento. Foram avistados primatas, roedores,
veados, porcos-do-mato e grandes predadores. O resultado final
só será conhecido em meados de 2009.
“Inicialmente, nossa pesquisa visava a estudar o efeito das
clareiras artificiais sobre os animais, mas no caso desses
mamíferos, a situação se inverteu e passamos a observar a ação
dos animais sobre as clareiras”, explica Ana Cristina.
Segundo a pesquisadora, o solo nas clareiras sofre
um grande impacto quando a floresta é retirada. “A regeneração
natural se torna muito prejudicada”, explica. Daí a importância
da presença dos animais nessas áreas. Eles se alimentam de
sementes na floresta e defecam nas clareiras, trazendo de volta
espécies de plantas erradicadas dali.
Ana Cristina aponta que há até alguns tipos de
plantas cujas sementes só são ativadas depois de passarem pelo
sistema digestivo de animais. E cita outro exemplo de um animal
que trabalha de forma ativa para fazer germinar novos vegetais
nas clareiras: “A cutia enche as bochechas de sementes e depois
as enterra em alguma parte para armazená-las, mas esquece onde
foi que as escondeu”. Assim, o roedor praticamente “planta”
novas árvores involuntariamente.
Além dos mamíferos dispersores de sementes, foram
observados também espécies herbívoras que contribuem com a
eliminação de plantas dominantes, aquelas cuja presença impede
que outras variedades cresçam.
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