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11/10/08 - 11h16 - Atualizado em 11/10/08 - 11h16

Pesquisa visa mostrar como mamíferos ajudam a recompor floresta destruída

Pesquisadoras vigiaram animais que visitam clareiras na floresta.
Eles trazem sementes e eliminam plantas que impedem outras de crescer.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A cutia, ao enterrar sementes para armazená-las, trabalha ativamente para plantar novas árvores. (Foto: Salix/Creativ Commons)

Pesquisa do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) indica que mamíferos que visitam clareiras abertas pelo homem na floresta ajudam a recompor a mata ao trazerem sementes e eliminarem certos tipos de plantas que crescem nas áreas devastadas.

O estudo foi realizado pela mestranda Fernanda Santos e orientada pela professora Ana Cristina Mendes na região do campo de produção petrolífera do Urucu, no município de Coari (AM), operado pela Petrobras. Ali são abertas clareiras no meio da mata para a prospecção de petróleo e gás natural.

As pesquisadoras montaram plataformas nas áreas abertas para vigiar os animais que apareciam ali, a fim de monitorar seu comportamento. Foram avistados primatas, roedores, veados, porcos-do-mato e grandes predadores. O resultado final só será conhecido em meados de 2009.

 

“Inicialmente, nossa pesquisa visava a estudar o efeito das clareiras artificiais sobre os animais, mas no caso desses mamíferos, a situação se inverteu e passamos a observar a ação dos animais sobre as clareiras”, explica Ana Cristina.

Segundo a pesquisadora, o solo nas clareiras sofre um grande impacto quando a floresta é retirada. “A regeneração natural se torna muito prejudicada”, explica. Daí a importância da presença dos animais nessas áreas. Eles se alimentam de sementes na floresta e defecam nas clareiras, trazendo de volta espécies de plantas erradicadas dali.

Ana Cristina aponta que há até alguns tipos de plantas cujas sementes só são ativadas depois de passarem pelo sistema digestivo de animais. E cita outro exemplo de um animal que trabalha de forma ativa para fazer germinar novos vegetais nas clareiras: “A cutia enche as bochechas de sementes e depois as enterra em alguma parte para armazená-las, mas esquece onde foi que as escondeu”. Assim, o roedor praticamente “planta” novas árvores involuntariamente.

Além dos mamíferos dispersores de sementes, foram observados também espécies herbívoras que contribuem com a eliminação de plantas dominantes, aquelas cuja presença impede que outras variedades cresçam.

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