Quatro homens e uma viatura é a estrutura de que dispõe o
escritório do Ibama em Santa Inês (MA) para fiscalizar 37
municípios da região norte do estado, onde a situação da
exploração ilegal de madeira em reservas indígenas é crítica,
como mostrado em reportagem do Fantástico neste domingo (12). A
área de cobertura é de cerca de 3.000 quilômetros quadrados.
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aqui para ver a reportagem do Fantástico
Segundo o chefe do escritório, Alfredo dos Santos
Filho, a falta de condições materiais impede que o órgão federal
se imponha e coíba o comércio clandestino. “Nossa
superintendente tem lutado para conseguir as coisas e a
estrutura vai melhorar aos poucos”, espera.
A situação piorou para sua equipe quando o próprio
Ibama começou a atuar mais em uma jurisdição vizinha, na cidade
de Buriticupu. Alguns madeireiros dali se mudaram para Zé Doca,
que fica em área sob sua responsabilidade. Para conseguir fazer
ações mais efetivas, ele precisa da ajuda de outros escritórios
do instituto e da Polícia Militar do estado.
Desde a segunda metade de setembro, Santos e sua
equipe estão trabalhando na terceira etapa da Operação Batavo,
trabalho conjunto do Núcleo de Fiscalização da Superintendência
do Ibama no Maranhão e do Batalhão de Policiamento Ambiental do
estado contra o tráfico de madeira extraída ilegalmente. “Nossa
missão é perigosa. Sabemos que corremos risco de vida”, diz.
Ainda segundo Santos, parte dos índios guajajara
que vivem na região são coniventes com a extração de madeira de
suas terras. Como não pode entrar em reserva indígena sem
autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio), seu trabalho
fica dificultado. “Nunca flagramos alguém cortando as árvores
porque não chegamos até lá. Quando nós pegamos a madeira, ela já
está sendo transportada em caminhão”.
Um indício de que parte dos índios é conivente com
a extração de madeira é, segundo o chefe do escritório de Santa
Inês, o fato de que os madeireiros abrem estradas vicinais nas
reservas indígenas e chegam a construir pontes de 50 metros de
extensão para entrar com seus caminhões. “Os índios entregam a
madeira nessas estradas”, denuncia.
Numa das vezes em que esteve em reserva indígena
com a companhia de agentes da Funai, virou refém dos índios, que
pediam maior apoio do governo.
Piracema
O trabalho de Santos e seus colegas não se resume ao combate à atividade madeireira ilegal. A partir de 1º de dezembro, explica, começa a época de restrição à pesca, por causa da piracema. Também o tráfico de animais é intenso na região, de acordo com o agente do Ibama. “Recentemente, numa barreira na estrada, apreendemos 47 filhotes de bicudo (variedade de pássaro)”.
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