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12/10/08 - 20h45 - Atualizado em 13/10/08 - 09h53

Escritório do Ibama em Santa Inês (MA) luta contra a falta de estrutura

Quatro homens e uma viatura têm de fiscalizar 37 municípios.
Região tem forte presença de madeireiros, como mostrado no Fantástico.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Quatro homens e uma viatura é a estrutura de que dispõe o escritório do Ibama em Santa Inês (MA) para fiscalizar 37 municípios da região norte do estado, onde a situação da exploração ilegal de madeira em reservas indígenas é crítica, como mostrado em reportagem do Fantástico neste domingo (12). A área de cobertura é de cerca de 3.000 quilômetros quadrados.

Clique aqui para ver a reportagem do Fantástico

Segundo o chefe do escritório, Alfredo dos Santos Filho, a falta de condições materiais impede que o órgão federal se imponha e coíba o comércio clandestino. “Nossa superintendente tem lutado para conseguir as coisas e a estrutura vai melhorar aos poucos”, espera.

A situação piorou para sua equipe quando o próprio Ibama começou a atuar mais em uma jurisdição vizinha, na cidade de Buriticupu. Alguns madeireiros dali se mudaram para Zé Doca, que fica em área sob sua responsabilidade. Para conseguir fazer ações mais efetivas, ele precisa da ajuda de outros escritórios do instituto e da Polícia Militar do estado.

Desde a segunda metade de setembro, Santos e sua equipe estão trabalhando na terceira etapa da Operação Batavo, trabalho conjunto do Núcleo de Fiscalização da Superintendência do Ibama no Maranhão e do Batalhão de Policiamento Ambiental do estado contra o tráfico de madeira extraída ilegalmente. “Nossa missão é perigosa. Sabemos que corremos risco de vida”, diz.

Ainda segundo Santos, parte dos índios guajajara que vivem na região são coniventes com a extração de madeira de suas terras. Como não pode entrar em reserva indígena sem autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio), seu trabalho fica dificultado. “Nunca flagramos alguém cortando as árvores porque não chegamos até lá. Quando nós pegamos a madeira, ela já está sendo transportada em caminhão”.

Um indício de que parte dos índios é conivente com a extração de madeira é, segundo o chefe do escritório de Santa Inês, o fato de que os madeireiros abrem estradas vicinais nas reservas indígenas e chegam a construir pontes de 50 metros de extensão para entrar com seus caminhões. “Os índios entregam a madeira nessas estradas”, denuncia.

Numa das vezes em que esteve em reserva indígena com a companhia de agentes da Funai, virou refém dos índios, que pediam maior apoio do governo. 

 

Piracema

 

O trabalho de Santos e seus colegas não se resume ao combate à atividade madeireira ilegal. A partir de 1º de dezembro, explica, começa a época de restrição à pesca, por causa da piracema. Também o tráfico de animais é intenso na região, de acordo com o agente do Ibama. “Recentemente, numa barreira na estrada, apreendemos 47 filhotes de bicudo (variedade de pássaro)”.

 

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