As grandes operações da Polícia Federal e do Ibama para combater
o desmatamento no sudeste do Pará tem levado madeireiras para o
oeste maranhense. É o que revela o delegado da Polícia Federal
Valdecy Urquiza Júnior, responsável pela Delegacia de Repressão
a Crimes Ambientais do Maranhão, em entrevista ao Globo
Amazônia.
“Quando apertou o cerco no Pará, algumas empresas
vieram para o Maranhão, inclusive instalando serrarias. Isso foi
identificado por nós e já começamos a atacar nessas áreas onde
essas empresas se instalaram”, afirma Urquiza.
Desde o início do ano, a Polícia Federal vem
realizando a megaoperação Arco de Fogo, em parceria com o Ibama.
Apenas no município de Tailândia (PA), em dois meses foram
aplicados R$ 23 milhões em multas e apreendidos 23 mil metros
cúbicos de madeira.
Áreas protegidas
No Maranhão, a Polícia Federal atua apenas nos
casos em que a retirada ilegal de madeira é realizada dentro de
áreas protegidas federais, como parques ou reservas, e em terras
indígenas. De acordo com o delegado, o estado quase não tem mais
floresta amazônica em pé, e são justamente esses locais os alvos
preferidos dos madeireiros.
“No Maranhão, a grande maioria da madeira é
retirada de terras indígenas e de unidades de conservação. E
mesmo em áreas particulares, a legislação determina que na
Amazônia Legal só se pode retirar 20% da floresta. Isso não é
respeitado aqui, também”, revela. Segundo o delegado, as áreas
mais problemáticas são a Reserva Biológica de Gurupi e as terras
indígenas Awa e as dos povos Guajajara.
Neste domingo (12), uma equipe do Fantástico sobrevoou a região e confirmou o desmatamento em áreas protegidas. A denúncia do crime foi feita por um internauta ao Globo Amazônia.
Impunidade
De acordo com Urquiza, a Polícia Federal tem estrutura suficiente
para reprimir o crime na região, mas a reincidência é muito
grande porque as penas são brandas demais. “Identificamos as
empresas madeireiras, prendemos o proprietário, a madeira, mas
essa pessoa não fica mais do que poucas horas na custódia da
Polícia Federal”, reclama. “Como a pena é inferior a dois anos,
a pessoa simplesmente assina um termo de compromisso e é
liberada, mesmo que seja reincidente.”
Destino semelhante têm os equipamentos apreendidos
pela polícia. Segundo o delegado, a madeira confiscada chega a
ser leiloada, e o dinheiro revertido para os órgãos ambientais,
mas o maquinário – serras, caminhões, tratores – acaba sempre
sendo liberado pela justiça. “[A fiscalização] é um trabalho que
acaba virando ‘retrabalho’. A gente faz, e depois acaba fazendo
de novo”, diz.
Outra dificuldade enfrentada pela polícia, afirma Urquiza, é a dependência econômica da região em relação à madeira ilegal. “Nos municípios de Açailândia, Centro Novo e Buriticupu, a economia é muito ligada à extração de madeira. Tem gente atuando no corte, no beneficiamento, na comercialização e no transporte. Sempre que há repressão, há insatisfação da população local”, relata.
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