A reserva é a única na faixa de transição entre a paisagem de babaçuzal e a floresta tropical amazônica.
Atividade madeireira ilegal, grilagem e ameaças são alguns dos
problemas com que o Instituto Chico Mendes tem que lidar para
tentar salvar o que sobrou da Reserva Biológica do Gurupi, no
noroeste do Maranhão.
Segundo o coordenador de Proteção Ambiental do
órgão responsável por sua proteção, o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Carneiro, a
ausência do Estado em outras frentes que não a da preservação
ambiental impede que se controle o desmatamento na região, que
já provocou o corte raso de cerca de 30% dos 300 mil hectares da
reserva (o equivalente a cerca de duas vezes o município de São
Paulo). “O Estado fez um trabalho grande ali, mas ele precisa
ter continuidade. Ações pontuais não representam mais ganho.
Precisamos de uma ação permanente”, analisa.
“No ano passado, houve um assalto a banco em
Buriticupu (cidade na região da reserva) e homens da Força
Nacional, que estavam ali para uma operação ambiental, tiveram
que socorrer”, exemplifica o coordenador.
No domingo (12), reportagem do Fantástico mostrou
que na região de Gurupi e em outras três reservas próximas
ocorre extração ilegal de madeira em terras indígenas. Por causa
de diversos problemas de segurança, aquele trecho do estado
ganhou o apelido de “faroeste maranhense”.
Assentamentos
Oficialmente, conta Carneiro, a reserva do Gurupi, a única na
faixa de transição entre babaçual e floresta amazônica, deveria
ter saídas apenas para as cidades de Açailândia, Buriticupu,
Centro Novo do Maranhão e Paragominas (PA). No entanto, segundo
o coordenador, existem 37 estradas que dão acesso a ela. “É uma
área antiga de conflito agrário. Há dois assentamentos
homologados pelo Incra dentro da reserva”, relata.
O ICMBio está estudando as medidas legais que
podem ser tomadas a respeito, mas Carneiro admite que chegar a
uma solução pode ser difícil: “Esses assentamentos têm casas de
alvenaria e fazem parte do programa Luz para Todos”. Assim, uma
retirada dos assentados parece improvável.
O instituto também localizou quatro grandes áreas
suspeitas de grilagem que devem ser acionadas judicialmente.
Para fiscalizar os 300 mil quilômetros da reserva, o órgão conta
com dois servidores próprios, dez policiais militares
ambientais, seis monitores ambientais terceirizados e dois
servidores deslocados de outras áreas. De tempos em tempos, os
funcionários do ICMBio precisam ser trocados porque sofrem
ameaças de morte, conta Carneiro.
A situação pode parecer ruim, mas melhorou desde
as operações deflagradas na região desde o ano passado, na
avaliação do coordenador. Ele conta que antes havia na reserva,
além da extração de madeira, plantio de narcóticos, trabalho
escravo e até um cemitério clandestino. “Erradicamos mais de 120
mil pés de maconha ali”, observa, e conclui: “O corte de madeira
é uma realidade, mas já foi muito maior”.
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