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15/10/08 - 09h43 - Atualizado em 15/10/08 - 13h44

Reserva no MA teve um terço de sua área desmatada, diz coordenador do ICMBio

Coordenador do ICMBio conta que seus funcionários sofrem ameaças.
Estado teria de se fazer mais presente, avalia Paulo Carneiro.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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 A reserva é a única na faixa de transição entre a paisagem de babaçuzal e a floresta tropical amazônica.

Atividade madeireira ilegal, grilagem e ameaças são alguns dos problemas com que o Instituto Chico Mendes tem que lidar para tentar salvar o que sobrou da Reserva Biológica do Gurupi, no noroeste do Maranhão.

Segundo o coordenador de Proteção Ambiental do órgão responsável por sua proteção, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Carneiro, a ausência do Estado em outras frentes que não a da preservação ambiental impede que se controle o desmatamento na região, que já provocou o corte raso de cerca de 30% dos 300 mil hectares da reserva (o equivalente a cerca de duas vezes o município de São Paulo). “O Estado fez um trabalho grande ali, mas ele precisa ter continuidade. Ações pontuais não representam mais ganho. Precisamos de uma ação permanente”, analisa.

“No ano passado, houve um assalto a banco em Buriticupu (cidade na região da reserva) e homens da Força Nacional, que estavam ali para uma operação ambiental, tiveram que socorrer”, exemplifica o coordenador.

No domingo (12), reportagem do Fantástico mostrou que na região de Gurupi e em outras três reservas próximas ocorre extração ilegal de madeira em terras indígenas. Por causa de diversos problemas de segurança, aquele trecho do estado ganhou o apelido de “faroeste maranhense”. 

 

Assentamentos

 

Oficialmente, conta Carneiro, a reserva do Gurupi, a única na faixa de transição entre babaçual e floresta amazônica, deveria ter saídas apenas para as cidades de Açailândia, Buriticupu, Centro Novo do Maranhão e Paragominas (PA). No entanto, segundo o coordenador, existem 37 estradas que dão acesso a ela. “É uma área antiga de conflito agrário. Há dois assentamentos homologados pelo Incra dentro da reserva”, relata.

O ICMBio está estudando as medidas legais que podem ser tomadas a respeito, mas Carneiro admite que chegar a uma solução pode ser difícil: “Esses assentamentos têm casas de alvenaria e fazem parte do programa Luz para Todos”. Assim, uma retirada dos assentados parece improvável.

O instituto também localizou quatro grandes áreas suspeitas de grilagem que devem ser acionadas judicialmente. Para fiscalizar os 300 mil quilômetros da reserva, o órgão conta com dois servidores próprios, dez policiais militares ambientais, seis monitores ambientais terceirizados e dois servidores deslocados de outras áreas. De tempos em tempos, os funcionários do ICMBio precisam ser trocados porque sofrem ameaças de morte, conta Carneiro.

A situação pode parecer ruim, mas melhorou desde as operações deflagradas na região desde o ano passado, na avaliação do coordenador. Ele conta que antes havia na reserva, além da extração de madeira, plantio de narcóticos, trabalho escravo e até um cemitério clandestino. “Erradicamos mais de 120 mil pés de maconha ali”, observa, e conclui: “O corte de madeira é uma realidade, mas já foi muito maior”.

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