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17/10/08 - 18h40 - Atualizado em 18/10/08 - 10h14

Tempo seco faz aumentar número de queimadas nas florestas

Governo tem dificuldade de chegar até o fogo nos parques e reservas.
Pontos de queimada podem ser verificados no mapa do Globo Amazônia.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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No mapa interativo do Globo Amazônia, os ícones amarelos se multiplicam. Eles indicam os focos de queimadas identificados pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os internautas que acompanham o mapa com atenção estão atentos: o fogo aumentou consideravelmente na última semana.

Na última noite, entre os dias 16 e 17 de outubro, o satélite NOAA 15 detectou 1497 focos de calor dentro da Amazônia Legal. A maior parte deles está localizada na área conhecida como “arco do desmatamento”, que abrange o sul e sudeste do Pará e os estados que fazem fronteira com essa região, como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

O pior incêndio ocorre no entorno do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, um dos pontos turísticos de Mato Grosso. Helicópteros, aviões, bombeiros e uma equipe de brigadistas de incêndio federais estão na região tentando apagar o fogo, que já consumiu mais de 1,5 mil hectares de vegetação.

De acordo com José Carlos Morais, chefe do serviço Prevfogo – que acompanha os dados de satélite e coordena as ações de combate a incêndio dentro das reservas e parques federais –, o aumento das queimadas se deve ao tempo seco. “São altas temperaturas, baixa umidade do ar, acúmulo de dias sem chuva e ações antrópicas [do homem]. Você só tem fogo quando há um ponto de ignição”, afirma. 

 

 

Reservas sem equipe

 

Em nota de alerta divulgada na última quinta-feira (16), o Prevfogo informou que havia cinco unidades de conservação da Amazônia em alerta vermelho. Essa classificação é utilizada nos casos em que o incêndio é verificado em campo por equipes locais. Segundo Morais, todos esses focos já estão sendo combatidos.

O relatório também informa, contudo, que pelo menos 14 parques ou reservas amazônicas estavam em alerta amarelo – quando os satélites detectam os focos de queimada, mas eles ainda não foram checados.

Nos casos da Floresta Nacional do Iquiri (AM), Parque Nacional Mapinguari (AM), Parque Nacional do Jamanxim (PA) e na Reserva Biológica das Nascentes da Serra do Cachimbo (PA), o documento acusa falta de estrutura para verificar os focos. “Esta unidade não possui estrutura nem equipe de funcionários”, é texto que consta embaixo de cada uma delas na lista do Prevfogo.

A situação da Floresta Nacional do Bom Futuro , em Rondônia, é ainda mais crítica. Ela está em alerta vermelho e, segundo o documento, “a unidade não possui estrutura e há invasões no interior da Floresta Nacional que oferecem risco de morte à equipe da UC [unidade de conservação].”

De acordo com a assessoria de comunicação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), órgão federal responsável pela manutenção dos parques e reservas, há falta de equipamento e de pessoal para verificar e checar os focos identificados pelos satélites, mas brigadas de incêndio dos municípios vizinhos são acionadas quando o caso é grave.

 

Se você mora ou viajou para a Amazônia e tem histórias, fotos ou vídeos com flagrantes de desrespeito à floresta, envie para o Globo Amazônia: globoamazonia@globo.com. Não se esqueça de colocar seu nome e telefone.

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