No mapa interativo do Globo Amazônia, os ícones
amarelos se multiplicam. Eles indicam os focos de queimadas
identificados pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe). Os internautas que acompanham o mapa com
atenção estão atentos: o fogo aumentou consideravelmente na
última semana.
Na última noite, entre os dias 16 e 17 de outubro,
o satélite NOAA 15 detectou 1497 focos de calor dentro da
Amazônia Legal. A maior parte deles está localizada na área
conhecida como “arco do desmatamento”, que abrange o sul e
sudeste do Pará e os estados que fazem fronteira com essa
região, como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
O pior incêndio ocorre no entorno do Parque
Nacional da Chapada dos Guimarães, um dos pontos turísticos de
Mato Grosso. Helicópteros, aviões, bombeiros e uma equipe de
brigadistas de incêndio federais estão na região tentando apagar
o fogo, que já consumiu mais de 1,5 mil hectares de vegetação.
De acordo com José Carlos Morais, chefe do serviço
Prevfogo – que acompanha os dados de satélite e coordena as
ações de combate a incêndio dentro das reservas e parques
federais –, o aumento das queimadas se deve ao tempo seco. “São
altas temperaturas, baixa umidade do ar, acúmulo de dias sem
chuva e ações antrópicas [do homem]. Você só tem fogo quando há
um ponto de ignição”, afirma.
Reservas sem equipe
Em nota de alerta divulgada na última quinta-feira (16), o
Prevfogo informou que havia cinco unidades de conservação da
Amazônia em alerta vermelho. Essa classificação é utilizada nos
casos em que o incêndio é verificado em campo por equipes
locais. Segundo Morais, todos esses focos já estão sendo
combatidos.
O relatório também informa, contudo, que pelo
menos 14 parques ou reservas amazônicas estavam em alerta
amarelo – quando os satélites detectam os focos de queimada, mas
eles ainda não foram checados.
Nos casos da Floresta Nacional do Iquiri (AM),
Parque Nacional Mapinguari (AM), Parque Nacional do Jamanxim
(PA) e na Reserva Biológica das Nascentes da Serra do Cachimbo
(PA), o documento acusa falta de estrutura para verificar os
focos. “Esta unidade não possui estrutura nem equipe de
funcionários”, é texto que consta embaixo de cada uma delas na
lista do Prevfogo.
A situação da Floresta Nacional do Bom Futuro , em
Rondônia, é ainda mais crítica. Ela está em alerta vermelho e,
segundo o documento, “a unidade não possui estrutura e há
invasões no interior da Floresta Nacional que oferecem risco de
morte à equipe da UC [unidade de conservação].”
De acordo com a assessoria de comunicação do
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMbio), órgão federal responsável pela manutenção dos parques
e reservas, há falta de equipamento e de pessoal para verificar
e checar os focos identificados pelos satélites, mas brigadas de
incêndio dos municípios vizinhos são acionadas quando o caso é grave.
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