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21/10/08 - 12h27 - Atualizado em 21/10/08 - 12h27

Procurador-geral federal prevê órgãos ambientais mais ágeis em 2009

Reforma da área jurídica do Ibama e ICMbio pode desafogar processos.
Falta de estrutura atrapalha arrecadação das multas ambientais.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A arrecadação do dinheiro das multas ambientais tende a ser mais eficiente no próximo ano. É o que prevê o chefe da Procuradoria Geral Federal (PGF), Marcelo de Siqueira Freitas. De acordo com ele, a centralização dos advogados das autarquias federais – instituições como o Ibama, Banco Central, Instituto Chico Mendes (ICMbio) e universidades públicas – em um só local irá desafogar os processos judiciais que se acumulam nos órgãos ambientais.

Atualmente, cada órgão federal tem seus próprios procuradores, que são servidores vinculados à PGF, subordinada à Advocacia-Geral da União. Uma reforma que teve início no ano passado, contudo, fará com que todos os advogados das autarquias se reúnam fisicamente sob a PGF, que cuidará da defesa judicial de mais de uma centena de instituições federais.

Segundo Freitas, a reorganização tende a otimizar a atuação dos advogados. “Em Santarém, há um único procurador [do Ibama]. Quando ele entra em férias, fica sem ninguém lá. Quando juntarmos todos, teremos mais procuradores, e vamos garantir um ganho gerencial nisso”, exemplifica. 

 

Ação judicial


No início de outubro, o Ministério Público Federal (MPF) do Pará entrou com uma ação contra a União pedindo mais procuradores para o Ibama e o ICMbio. A alegação era que havia mais de 2 mil processos emperrados no estado por conta da falta de pessoal para cuidar desses casos.

Segundo o procurador Daniel Avelino, que ajuizou a ação, o principal prejuízo causado por essa lentidão é a falta de pagamento das multas ambientais. “Hoje se fala muito em intensificar a fiscalização, mas o infrator não paga multas voluntariamente. É necessário ajuizar uma ação, e sem procurador não dá. De 2004 a 2006, foram aplicados 2 bilhões em multa, e apenas 1% desse valor foi arrecadado”, informa.

Para Freitas, a ação judicial movida pelo MPF não é necessária, já que as reformas estão em curso. De acordo com ele, há hoje oito procuradores atuando em defesa do Ibama e do ICMbio. Mais dois estariam sendo enviados para o estado ainda neste mês, e no ano que vem os órgãos passariam a contar com a assessoria jurídica centralizada na PGF.

O procurador-geral federal acrescenta que mudanças nas leis ambientais também vão agilizar a arrecadação das multas. Segundo o procurador, até o meio deste ano os advogados do Ibama eram obrigados a acompanhar o andamento de todos os autos de infração, mesmo nos casos em que os acusados nem apresentavam defesa. “Se você prendesse um passarinho, a procuradoria tinha que se manifestar”, reclama.

Desde de julho, com o lançamento do decreto 6.514, que regulamenta a tramitação das infrações ambientais, os procuradores do órgão não precisam mais analisar todas as multas, mas apenas aquelas em que o acusado se defender e apresentar argumentos jurídicos, sendo necessária a consultoria de um advogado. 

 

Problemas de décadas

 
No ICMbio, responsável por cuidar dos parques e reservas federais, o grande problema são os processos para retirar moradores ilegais desses locais. Muitas áreas protegidas foram criadas em florestas em que já havia fazendas, e os proprietários ainda não foram removidos e indenizados. De acordo com o instituto, há hoje cerca de 300.000 km² de terras pendentes de regularização dentro das unidades de conservação federais. Essa área equivale ao estado do Tocantins, e atinge 39% do solo desses locais.

Para Freitas, a própria criação do ICMbio – as atribuições do órgão faziam parte das tarefas do Ibama –, em maio de 2007, já indica uma melhor estrutura para resolver as questões de ocupação ilegal. “O problema é menos de carência de procuradores e mais de gestão”, afirma.

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