Um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia (Imazon) revela que a variação dos índices de
desmatamento na Amazônia Legal acompanha as cotações do boi e da
soja. Segundo a pesquisa, quanto maior o valor dos produtos,
mais destruição haverá na maior floresta tropical do mundo.
O Instituto aponta que cerca de três quartos do
desmatamento ocorrido nos últimos anos cedeu lugar a pastos. “A
pecuária continua sendo a principal ocupação das áreas
desmatadas na Amazônia, ocupando de 75% a 81% do total desmatado
entre 1990 e 2005”, diz trecho do estudo.
Uma pequena parte da produção de gado bovino (4%
em 2005 e 10% em 2006) seria exportada. No Brasil, o maior
mercado consumidor da carne proveniente da Amazônia seria a
região Sudeste, que compra 69% da produção voltada ao mercado
interno. Em segundo lugar estaria o Nordeste – excluindo o
Maranhão, por fazer parte da Amazônia Legal –, que consome 14%.
Apenas 12% do gado seria consumido na própria Amazônia.
Grilagem de terras
Segundo o Imazon, o rebanho bovino na região saltou de 26 milhões
de cabeças em 1990 para 73 milhões em 2006. O aumento se deveria
principalmente à expansão da área de pastos – às custas de
desmatamento –, aos ganhos de produtividade da pecuária, ao
sucesso do controle da febre aftosa e à concessão de subsídios
públicos para a atividade.
De acordo com a pesquisa, um dos fatores que torna
atrativa a pecuária na região é a ocupação ilegal de terras
públicas – também chamada de “grilagem” de terras: “Fazendeiros
que se apossam de terras públicas ganham mais do que o normal,
pois não compraram a terra e nem pagam um aluguel
pelo seu uso.”
Para Paulo Barreto, um dos autores do estudo, é
falacioso o argumento de muitas autoridades de que o Brasil tem
áreas degradadas que poderiam ser utilizadas para agropecuária,
sem a necessidade de desmatar. “Por que não se está fazendo
isso? O investimento não vale a pena quando as pessoas têm terra
de graça. Só se investe em produtividade quando a terra é
escassa”, afirma.
Boicote na compra
Uma das soluções propostas pela pesquisa para frear o
desmatamento causado pela pecuária é que os frigoríficos só
comprem gado de fazendas que estejam regularizadas
ambientalmente. “A maioria das propriedades não têm
licenciamento ambiental. De início, isso causaria alguma crise,
mas poderia forçar os produtores a assinar TACs [Termos de
Ajustamento de Conduta, firmados com o Ministério Público] para
fazer a recuperação ambiental”, afirma Barreto.
A idéia é mais radical do que a contida no pacto
firmado por alguns frigoríficos no último dia 15, em São Paulo.
No acordo, proposto pelo Movimento Nossa São Paulo e pelo Fórum
Amazônia Sustentável, as empresas se comprometeram a deixar de
comprar de fazendas que foram embargadas pelo Ibama ou que
tiveram problemas com trabalho escravo, mas não houve menção a
corte de fornecedores que não tinham licença ambiental.

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