Ação de fiscalização do Ibama esteve em 20 áreas de manejo
florestal em Mato Grosso neste mês e todas elas apresentavam
algum tipo de irregularidade, ainda que brandas. Os problemas
encontrados, segundo o instituto, são ligados à má condução do
projeto, abertura excessiva da cobertura florestal, não
utilização das técnicas de redução de impacto ambiental, como a
queda direcionada e o corte prévio de cipós, e a não utilização
de mapas logísticos para o planejamento da exploração e
construção da infra-estrutura de apoio, como estradas e pátios.
O manejo florestal é uma forma controlada de
exploração dos recursos da floresta que visa conservar a mata.
Assim, a extração de madeira é feita de forma seletiva, em vez
do corte raso, que destrói totalmente a floresta de uma certa
área.O Ibama publica manuais com regras que devem ser seguidas
para o exercício da atividade.
Dos vinte fiscalizados, três detentores de planos
de manejo florestal que incorreram em infrações mais graves
receberam autuações que totalizaram R$ 14,5 milhões de reais. O
Ibama ainda está investigando indícios de outras possíveis
infrações nas áreas visitadas.
Entre as irregularidades mais graves foi
identificado o uso dos créditos de corte de madeira das áreas de
manejo para desmatamento irregular em outras terras. Os
infratores utilizavam a documentação que os autoriza a extrair
madeira da região controlada para explorar outros terrenos de
forma indiscriminada. “Não se pode permitir que um plano de
manejo seja aprovado de uma forma e se extraia madeira de
outra”, argumenta o diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade
e Florestas do Ibama, Antônio Carlos Hummel.
Esse tipo de infração é detectada porque o Ibama
compara os créditos de toras a cujo corte as empresas têm
direito com o total comercializado por elas. Toda madeira
vendida é registrada com um documento de origem florestal (DOF).
No entanto, quando o número autorizado para corte e o total
vendido são coincidentes, configura-se um indício de que a
madeira foi retirada de outro local, pois com o corte somente
nas áreas de manejo dificilmente o máximo autorizado é atingido.
“As pessoas acreditam que não nós vamos
fiscalizar. Mas esse é um sistema eletrônico que permite tirar
extratos diários”, alerta Hummel. Ele acredita que a crença na
impunidade motiva os infratores ambientais. Por isso, planeja
mais ações de fiscalização, sempre em parceria com as
secretarias estaduais de Meio Ambiente, que são as responsáveis
pelo controle dos projetos de manejo.

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