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25/10/08 - 11h06 - Atualizado em 30/10/08 - 18h33

Sem barcos, Ibama de Parintins (AM) não consegue fiscalizar madeireiros

Extração de madeira ocorre em área que passou do AM ao PA.
Denúncia foi feita por internauta ao Globo Amazônia.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Mapa com a localização de Parintins (AM).

O escritório do Ibama em Parintins (AM) tem três fiscais, dois barcos e uma caminhonete para fiscalizar uma área de cerca de 70 mil quilômetros quadrados em cinco municípios da região, e nenhum dos três meios de transporte funciona no momento, segundo o chefe interino da unidade, Salvador Leal.

 

“Temos duas voadeiras (lancha a motor) e uma [caminhonete] Ranger quebradas”, contabiliza o funcionário. Ele reclama da falta de apoio da sede do instituto. “Tudo que nos mandam são umas cartilhas dizendo para diminuir gastos. Mas como, se não estamos gastando nada?”

A irritação de Leal aumenta quando questionado sobre a atividade de madeireiras ilegais em um rio próximo, o Mamuru. “Entre maio e junho, detectamos 10 serrarias atuando ilicitamente no rio e só foram localizadas as que estão nas margens, que estão 80% legalizadas”, explica o fiscal. Segundo ele, mais para dentro da mata certamente há mais atividade ilegal de extração de madeira. “Eles continuam operando lá. Estamos tentando fazer um novo levantamento”, observa Leal.

O chefe do Ibama em Parintins sabe que há madeira sendo extraída no Rio Mamuru porque as balsas carregadas passam diante da cidade para rumar para o Pará pelo Rio Amazonas. Segundo Leal, a Secretaria da Fazenda tem um posto flutuante na região, mas as barcaças passam quando ele está vazio. “Eles (os madeireiros) têm alguém que avisa”, deduz. “Na semana passada, fiquei sabendo que passou uma balsa com uns 400 metros cúbicos de madeira”, acrescenta. 

 

Leal afirma que a situação piorou depois que uma parte das terras às margens do Rio Mamuru passou ao controle do estado do Pará. “Madeireiros da região de Tailândia (PA) desceram para cá”, conta.

O prefeito de Parintins, Frank Luiz da Cunha Garcia, explica que as terras em questão, no entorno do Rio Mamuru, pertencem ao Incra, que há cerca de sete anos resolveu mudar a demarcação de um assentamento, deslocando a linha divisória entre Pará e Amazonas. Com isso, a documentação ambiental expedida pelo estado do Amazonas para áreas que passaram a ser do Pará deixaram de ter validade. “O estado do Amazonas está requisitando que esse limite volte a ser como era”, comenta o prefeito.

A extração madeireira no Rio Mamuru preocupa habitantes de Parintins como o professor de ensino médio Nelson Brelaz, que escreveu ao Globo Amazônia para denunciar a situação. Ele também vê os barcos carregados de madeira passando em frente à cidade. “São grandes balsas que passam com centenas de metros cúbicos e ninguém sabe a origem”, conta. “A mata está toda retalhada para aqueles lados”, reclama.

 

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