Mapa com a localização de Parintins (AM).
O escritório do Ibama em Parintins (AM) tem três fiscais, dois barcos e uma caminhonete para fiscalizar uma área de cerca de 70 mil quilômetros quadrados em cinco municípios da região, e nenhum dos três meios de transporte funciona no momento, segundo o chefe interino da unidade, Salvador Leal.
“Temos duas voadeiras (lancha a motor) e uma [caminhonete] Ranger
quebradas”, contabiliza o funcionário. Ele reclama da falta de
apoio da sede do instituto. “Tudo que nos mandam são umas
cartilhas dizendo para diminuir gastos. Mas como, se não estamos
gastando nada?”
A irritação de Leal aumenta quando questionado
sobre a atividade de madeireiras ilegais em um rio próximo, o
Mamuru. “Entre maio e junho, detectamos 10 serrarias atuando
ilicitamente no rio e só foram localizadas as que estão nas
margens, que estão 80% legalizadas”, explica o fiscal. Segundo
ele, mais para dentro da mata certamente há mais atividade
ilegal de extração de madeira. “Eles continuam operando lá.
Estamos tentando fazer um novo levantamento”, observa Leal.
O chefe do Ibama em Parintins sabe que há madeira
sendo extraída no Rio Mamuru porque as balsas carregadas passam
diante da cidade para rumar para o Pará pelo Rio Amazonas.
Segundo Leal, a Secretaria da Fazenda tem um posto flutuante na
região, mas as barcaças passam quando ele está vazio. “Eles (os
madeireiros) têm alguém que avisa”, deduz. “Na semana passada,
fiquei sabendo que passou uma balsa com uns 400 metros cúbicos
de madeira”, acrescenta.
Leal afirma que a situação piorou depois que uma parte das terras
às margens do Rio Mamuru passou ao controle do estado do Pará.
“Madeireiros da região de Tailândia (PA) desceram para cá”,
conta.
O prefeito de Parintins, Frank Luiz da Cunha
Garcia, explica que as terras em questão, no entorno do Rio
Mamuru, pertencem ao Incra, que há cerca de sete anos resolveu
mudar a demarcação de um assentamento, deslocando a linha
divisória entre Pará e Amazonas. Com isso, a documentação
ambiental expedida pelo estado do Amazonas para áreas que
passaram a ser do Pará deixaram de ter validade. “O estado do
Amazonas está requisitando que esse limite volte a ser como
era”, comenta o prefeito.
A extração madeireira no Rio Mamuru preocupa
habitantes de Parintins como o professor de ensino médio Nelson
Brelaz, que escreveu ao Globo Amazônia para
denunciar a situação. Ele também vê os barcos carregados de
madeira passando em frente à cidade. “São grandes balsas que
passam com centenas de metros cúbicos e ninguém sabe a origem”,
conta. “A mata está toda retalhada para aqueles lados”, reclama.

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