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28/10/08 - 10h38 - Atualizado em 28/10/08 - 10h48

Livro ensina pessoas a conviverem pacificamente com onças

Publicação traz dicas de como proteger o gado do felino.
Autor afirma que há uma cultura de caça ao animal.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Segundo autor do livro, são raríssimos os ataques de onças a humanos quando elas não são provocadas. (Foto: Divulgação)

É possível que seres humanos e onças pintadas consigam compartilhar em paz o mesmo ambiente? O livro “Guia de convivência gente e onças”, lançado recentemente pela Fundação Ecológica Cristalino, de Mato Grosso, diz que sim. Focando  pecuaristas do Pantanal e da Amazônia, a publicação dá dicas de como proteger o gado dos ataques do felino e lista uma série de motivos para que não se matem as onças pintadas.

Segundo o biólogo Sílvio Marchini, autor do livro, o desaparecimento do animal não se deve apenas à perda de seu ambiente natural, mas também a uma cultura de matar onças. “No Pantanal, por exemplo, caçar onça é uma tradição. Eles encaram isso como parte da identidade pantaneira”, afirma. “Por outro lado, na fronteira agrícola [onde começa a floresta amazônica] há uma população que veio de locais onde não existem mais onças, ou nem mesmo florestas, que muitas vezes são vistas como um obstáculo a ser vencido.”

Para muitos fazendeiros, a onça é encarada como um prejuízo à sua atividade econômica. De acordo com Marchini, nos locais onde o animal ainda é comum, os ataques do felino são responsáveis pela perda de 1 a 2% do rebanho todo ano. Por causa disso, seu livro tem uma seção especial explicando como os fazendeiros podem proteger seus bois do animal sem matá-lo.

Uma das dicas é não caçar as presas naturais das onças, como veados e porcos-do-mato. Outra recomendação é manter os bezerros e as vacas prenhes perto da sede da fazenda, evitando que eles fiquem próximos às áreas preferidas pelas onças. 

 

Ataque a humanos

 
O grande medo que as pessoas sentem do felino brasileiro é exagerado, segundo o autor do livro. “Talvez tenhamos esse medo inato. Mas não temos medo dos perigos modernos, como acidentes de carro ou colesterol, que matam muito mais”, argumenta. Segundo Marchini, são raríssimos os casos em que onças atacam sem ser provocadas.

Na publicação, ricamente ilustrada, um gráfico mostra que mosquitos, cobras, abelhas e até mesmo os cães domésticos são responsáveis por muito mais mortes de pessoas ao redor do mundo do que as onças. 

Coleção de argumentos

 
O perigo de extinção das onças pintadas se deve principalmente à grande área necessária para sua sobrevivência. No Brasil, um único macho pode demarcar uma área de até 100 quilômetros quadrados, onde não permite que outros machos entrem. Segundo o biólogo, isso faz com que reservas ou parques inteiros não sejam suficientes para abrigar uma única família de onças.

Um dos efeitos colaterais da necessidade de espaço desses animais é que eles acabam saindo de áreas protegidas, entrando em fazendas e se expondo a perigos. “As áreas dos entornos dos parques acabam sendo um sumidouro dessas espécies. Eles saem dos parques e acabam morrendo. A longo prazo, as populações desaparecem”, afirma Marchini. “Essa constatação reforça a importância de mudar a cabeças das pessoas que vivem nos entornos dos parques”, defende.

Além de motivos ecológicos – como o equilíbrio dos ecossistemas pantaneiro e amazônico –, no livro o biólogo cita razões econômicas, culturais e até mesmo emocionais para que são se matem as onças pintadas. “Pela mesma razão que tombamos edifícios históricos e abrigamos obras de arte em museus, nos sentimos apegados às onças o suficiente para preferir que elas continuem existindo”, diz trecho da publicação.

Baixe, na íntegra, o “Guia de convivência gente e onças”.

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