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29/10/08 - 15h41 - Atualizado em 29/10/08 - 15h59

Plantio de cana acelera desmatamento em Grajaú (MA), diz secretário

Município foi o que teve maior área devastada em setembro, segundo Inpe.
Por estarem no bioma cerrado, proprietários podem devastar até 60%.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Mapa interativo do portal Globo Amazônia mostra os pontos de desmatamento no município de Grajaú (MA).

O desmatamento no município de Grajaú (MA) está sendo acelerado pela abertura de lavouras de cana, afirma o secretário de Meio Ambiente da cidade, Antônio Fernando Barros.

 

Com 70 km² devastados, o município maranhense foi o que teve mais floresta destruída na Amazônia em setembro (veja a tabela com os dez municípios com mais devastação), segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Vai ser instalada uma indústria de álcool da região”, explica Barros. “Por isso houve um aumento do desmatamento para a criação de áreas de plantio de cana. Mas também há formação de pastagem”, comenta.

Apesar de estar na Amazônia Legal, o bioma da região é o cerrado, o que permite que os proprietários desmatem até 60% da mata em suas terras (se fosse bioma amazônico, somente 20% seria permitido). “Estamos numa área de transição. Temos mata densa, típica da Amazônia, e temos cerrado”, explica o secretário. 

De acordo com Barros, apesar de, segundo o que pode acompanhar, a maior parte do desmatamento ocorrer dentro da legalidade, há problemas pontuais de derrubada irregular de floresta no município. “Não dá para controlar tudo, temos alguma atividade ilegal, sim”, admite.

 

Um problema é a indústria moveleira da região, que consome madeira nobre. Parte dela é extraída das três reservas indígenas do município. “Também ainda existem algumas carvoarias ilegais”, acrescenta. A extração ilegal de madeira em reservas indígenas no Maranhão foi denunciada em reportagem do Fantástico (assista).

Outro elemento que tem contribuído para a derrubada de mata em Grajaú, segundo o secretário, é a indústria siderúrgica. “Derruba-se a mata para plantar eucalipto, que alimenta as fábricas”, explica.

De acordo com Barros, o Ibama faz vistorias freqüentes na região, já que o município fica próximo à Reserva Biológica do Gurupi, uma área bastante problemática no que se refere a desmatamento. “O ideal seria que tivessem um posto aqui, mas ainda ficamos dependendo do de Imperatriz”, completa.

 

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