Trator puxa 'correntão' para derrubar a mata, em imagem de arquivo.
Dois tratores lado a lado, a 50 metros de distância, unidos por
uma corrente grossa. Conforme avançam, arrastando a vegetação, a
copa das árvores vai ao chão e as raízes brotam da terra. É
dessa forma, segundo o coordenador regional do Conselho
Indigenista Missionário (Cimi) do Maranhão, Humberto Capucci,
que muitas florestas da região vêm perdendo espaço para lavouras
de cana, soja e eucalipto.
Dados do desmatamento na Amazônia divulgados pelo
Insittuto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam o
Maranhão como o terceiro estado onde mais focos de devastação
foram identificados em setembro. Grande parte da degradação
florestal ocorreu em terras indígenas. Apenas na reserva de
Bacurizinho foram 27,8 quilômetros quadrados, enquanto na
Porquinhos a floresta perdeu 10,2 km².
De acordo com Capucci, a devastação na Porquinhos
e seus arredores está relacionada à revisão da área indígena,
que será aumentada. “Pequenos agricultores ocupavam parte dessa
área [que se transformará em reserva]. Eles tinham roças
pequenas, e não tinham um modo de vida diferente dos índios. Com
a notícia de que a área da terra indígena seria revista, eles
saíram e venderam suas terras para grandes agricultores, que
estão devastando tudo com correntão”, denuncia.
Em imagem de arquivo, 'correntão' usado para desmatamento.
O coordenador do Cimi informa ainda que grande parte da madeira
retirada de terras indígenas no Maranhão ocorre com a
autorização dos índios. “Uma coisa que leva os índios a venderem
madeira é a falta de assistência do Estado. É o madeireiro que
arruma estrada, leva água, socorre um doente. É como o tráfico
de drogas nas grandes cidades. Por isso, só ações repressivas
não vão resolver”, defende.
No Maranhão, segundo Capucci, praticamente não
restam áreas de floresta nativa que não estejam dentro de
parques ou reservas indígenas. Por isso, seria fácil chegar à
conclusão de que quase toda a madeira produzida no estado tem
origem ilegal. “Todo mundo sabe que a madeira sai das terras
indígenas. Os caminhões carregados transitam durante o dia nas
rodovias, sem placa, sem nada”, informa.

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