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31/10/08 - 09h33 - Atualizado em 31/10/08 - 09h33

Processo de zoneamento é aposta para organizar região da BR-163 no Pará

Área é uma das mais problemáticas em relação a desmatamento.
Governadora assina projeto que define zonas para atividades econômicas.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), assinou nesta quinta-feira (30), o projeto de lei que estabelece o zoneamento econômico ecológico (ZEE) do entorno da rodovia BR 163, no oeste do estado.

 

O zoneamento determina que tipo de atividade econômica pode ser realizada em cada parte dessa região, que engloba 19 municípios em área maior que a do estado de São Paulo. Ela é uma das mais problemáticas do país no que se refere à questão da regularização fundiária e desmatamento. Com o ZEE, fica determinado, por exemplo, onde se pode criar gado, em que áreas pode haver assentamentos de reforma agrária, ou que zonas deverão ter a floresta totalmente conservada.

O projeto assinado por Ana Julia ainda tem de ser aprovado pela Assembléia Legislativa e pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Segundo informa o secretário de Meio Ambiente do estado, Valmir Ortega, foi realizada mais de uma centena de audiências na região para discutir como se dividiria o território. “Representa um pacto assentado em bases técnicas”, explica. Segundo ele, um dos principais pontos que o projeto deve ajudar a atacar é a insegurança gerada pela indefinição fundiária. Sabendo exatamente o que podem ou não podem fazer em suas propriedades, fazendeiros da região poderão produzir com mais tranqüilidade. “O ZEE define regras claras para a questão fundiária”, afirma.

 

Incra


Ortega ressalva, no entanto, que os problemas relativos à posse da terra não são contemplados pelo zoneamento. Segundo ele, essa é uma questão que tem de ser resolvida pelo Incra. Ainda de acordo com o secretário, o Pará tem 60 milhões de hectares para serem regularizados. “O zoneamento ajuda a orientar políticas públicas, como o apoio à produção por meio do crédito”, explica.

Se implantado, o zoneamento permitirá ainda que certas propriedades em que houve desmatamento de mais 20% da área, máximo permitido no bioma amazônico, tenham replantadas espécies nativas até apenas 50% do terreno. A Secretaria de Meio Ambiente (Sema-PA) determinará em que propriedades é mais indicada a manutenção de áreas já desmatadas para intensificação da produção agrícola, em vez do replantio da floresta. “Mas isso não vai acontecer em áreas desmatadas recentemente”, adianta o secretário.

Segundo a Sema-PA, os únicos estados que possuem zoneamento econômico ambiental integral são o Acre e Rondônia. O Pará, por ser muito mais extenso, optou por fazer o zoneamento parcelado, opção que passou a ser possível após decreto presidencial assinado no ano passado.

 

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