Ave foi alimentada com ratos para se adaptar à vida na floresta. (Foto: Inpa/Divulgação)
As dimensões não são modestas: a fêmea de gavião-real que voltará
ao seu habitat no Amazonas pesa seis quilos, e suas asas atingem
uma envergadura de 1,90 metro quando estão abertas. O animal foi
encontrado ferido em dezembro de 2007, no município de
Barreirinha (AM), e passou onze meses em Manaus para poder se
recuperar e se preparar para voltar à natureza. Ele será solto
na próxima segunda-feira (10), em local próximo onde foi
encontrado.
Segundo a coordenadora do Projeto Gavião Real,
Tânia Sanaiotti, pesquisadora do Inpa (Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia), a espécie já ocorreu no Brasil inteiro,
mas hoje está em extinção na Mata Atlântica. “Eles precisam de
grandes reservas para encontrar suas presas”, explica. O animal
é considerado uma das maiores aves de rapina do mundo.
Ratos e preguiças
Um dos pratos preferidos do gavião-real são os bichos-preguiça. Para adaptar o animal novamente à natureza e verificar se seus ferimentos – que ocorreram nas garras – já estavam recuperados, os pesquisadores do Inpa o alimentavam com ratos amarrados a pequenas bolsas, para fazer peso. “Na natureza, ele caça presas entre dois ou três quilos”, informa Sanaiotti. No final da recuperação, o gavião-real já conseguia levar presas de dois quilos a dez metros de altura.
A pesquisadora conta que, quando a ave foi encontrada, pesava
cinco quilos. Com o tratamento nas garras, chegou a pesar oito.
“Agora ele perdeu um pouco. Deve estar com seis quilos. Fizemos
ele perder peso para ganhar habilidade”, revela.
De acordo com Sanaiotti, o animal que será solto
tem quatro anos de vida, mas ainda não é adulto. “Eles vivem
cerca de 50 anos, e produzem um filhote a cada três anos. Por
isso é tão importante devolvê-la para a natureza”, afirma.

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