Produtos tradicionalmente amazônicos, como o açaí, a
castanha-do-Brasil ou a carne de búfalos da Ilha do Marajó podem
ganhar espaço no mercado se os planos dos pesquisadores do Museu
Goeldi, em Belém, derem certo. Eles estão começando a estudar os
passos necessários para obter um registro semelhante ao do
champanhe, na França, para ser utilizado em mercadorias genuínas
da Amazônia.
Chamado de Indicação Geográfica, esse registro
garante que a mercadoria é procedente de determinada região, e
impede que produtos de longe dali utilizem o nome do local. No
Brasil, esse tipo de certificado é concedido pelo Inpi
(Instituto Nacional da Propriedade Industrial), e utilizado em
selos, frases e logotipos nas embalagens das mercadorias.
Segundo a Coordenadora geral de Indicações
Geográficas do instituto, Mara Alice Calliari, já há hoje no
Brasil quatro selos desse tipo: o vinho do Vale dos Vinhedos e a
carne bovina do Pampa Gaúcho, ambos no Rio Grande do Sul; o café
do Cerrado de Minas Gerais e a cachaça de Paraty, no Rio de
Janeiro.
A principal vantagem de se conseguir um registro
desse tipo, segundo Calliari, é que o consumidor terá certeza da
qualidade do produto, o que irá gerar agregação de valor. “[A
certificação] comprova que aquele produto, daquela região, é
único, só pode ser obtido daquela origem”, explica.
Uma das exigências do Inpi para conceder o
certificado é que os produtores consigam provar que são
especialistas naquilo. “É necessário que eles demonstrem um
notório saber fazer. São maneiras de fazer um queijo, um vinho,
que também são um patrimônio dos produtores daquela região. Isso
vai permitir que o produto seja diferenciado”, conta a
especialista do Inpi.
Nos últimos dias 6 e 7, um seminário promovido
pelo Museu Goeldi discutiu a viabilidade de obtenção da
certificação para produtos da região. De acordo com Antônio
Pinheiro, do Núcleo de Inovação e Transferência Tecnológica do
Goeldi, o principal desafio é organizar a produção. “É
necessário ter o compromisso de manter a qualidade dos produtos,
atendendo ao mercado de uma forma organizada”, explica.

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