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08/11/08 - 09h01 - Atualizado em 08/11/08 - 13h49

Certificação igual à do champanhe pode ajudar produtos amazônicos

Registro garante exclusividade na associação de produtos a uma região.
Cachaça de Paraty e vinho do Vale dos Vinhedos já têm o certificado.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Produtos tradicionalmente amazônicos, como o açaí, a castanha-do-Brasil ou a carne de búfalos da Ilha do Marajó podem ganhar espaço no mercado se os planos dos pesquisadores do Museu Goeldi, em Belém, derem certo. Eles estão começando a estudar os passos necessários para obter um registro semelhante ao do champanhe, na França, para ser utilizado em mercadorias genuínas da Amazônia.

Chamado de Indicação Geográfica, esse registro garante que a mercadoria é procedente de determinada região, e impede que produtos de longe dali utilizem o nome do local. No Brasil, esse tipo de certificado é concedido pelo Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), e utilizado em selos, frases e logotipos nas embalagens das mercadorias.

Segundo a Coordenadora geral de Indicações Geográficas do instituto, Mara Alice Calliari, já há hoje no Brasil quatro selos desse tipo: o vinho do Vale dos Vinhedos e a carne bovina do Pampa Gaúcho, ambos no Rio Grande do Sul; o café do Cerrado de Minas Gerais e a cachaça de Paraty, no Rio de Janeiro.

A principal vantagem de se conseguir um registro desse tipo, segundo Calliari, é que o consumidor terá certeza da qualidade do produto, o que irá gerar agregação de valor. “[A certificação] comprova que aquele produto, daquela região, é único, só pode ser obtido daquela origem”, explica.

Uma das exigências do Inpi para conceder o certificado é que os produtores consigam provar que são especialistas naquilo. “É necessário que eles demonstrem um notório saber fazer. São maneiras de fazer um queijo, um vinho, que também são um patrimônio dos produtores daquela região. Isso vai permitir que o produto seja diferenciado”, conta a especialista do Inpi.

Nos últimos dias 6 e 7, um seminário promovido pelo Museu Goeldi discutiu a viabilidade de obtenção da certificação para produtos da região. De acordo com Antônio Pinheiro, do Núcleo de Inovação e Transferência Tecnológica do Goeldi, o principal desafio é organizar a produção. “É necessário ter o compromisso de manter a qualidade dos produtos, atendendo ao mercado de uma forma organizada”, explica.

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