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10/11/08 - 21h41 - Atualizado em 10/11/08 - 21h46

No Oiapoque, moradores vivem com um pé no Brasil e outro na Guiana Francesa

Extremo norte do país tem comércio ilegal de ouro.
Jornal Nacional exibe série de reportagens sobre as fronteiras da Amazônia.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Partindo de Macapá rumo à fronteira norte do Brasil, quase metade dos 580 quilômetros da BR-156 é de terra. No caminho, uma sucessão de pontes inacabadas. Depois de dez horas de viagem, chega-se ao Oiapoque. A cidade, com 19 mil habitantes, tem um jeito de faroeste: tudo gira em torno do ouro e do euro.

 

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Do outro lado do rio, fica Saint George de L'Oyapock, na Guiana Francesa. É um território francês na América do Sul. A travessia dura cinco minutos e o preço é fixado na moeda estrangeira. Os brasileiros que atravessam o rio vão para Saint George para trabalhar como pedreiros, empregadas domésticas, mas, principalmente, para os garimpos ilegais. O problema é que os clandestinos encontram, do lado de cá, em território francês, uma polícia cada vez mais rigorosa e disposta a reprimir a imigração ilegal.


O ouro dos garimpos em território francês é o que alimenta a cobiça dos brasileiros. Conseguimos permissão para acompanhar a travessia clandestina de garimpeiros para a Guiana.

Os barcos saem carregados de combustível, sacas de comida e até móveis.

No Brasil, os comerciantes derretem as pepitas para transformá-las em barra. O gerente diz que tira nota fiscal, paga impostos à Receita e envia o ouro à empresa matriz para negociá-lo na bolsa de valores. Ou seja, legaliza o minério que todos sabem ter origem ilícita.

Mas a vida neste pedaço da fronteira não se resume a casos de polícia. Na pacata Saint George de L'Oyapock, com três mil habitantes, encontramos muitos casais binacionais como a brasileira Érica e o guianense José. O casal aproveita o que cada lado da fronteira tem de melhor. Érica prefere pegar o barco e ir ao açougue do lado brasileiro. Para quem ganha em euro, sai muito mais barato. Além disso, a carne é fresca e no lado francês, congelada. Já o vinho do almoço é um legítimo bordeaux. “Não fico com saudade do Brasil, porque todo dia a gente tem um pouquinho dele”, afirma Érica.

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