Partindo de Macapá rumo à fronteira norte do Brasil, quase metade dos 580 quilômetros da BR-156 é de terra. No caminho, uma sucessão de pontes inacabadas. Depois de dez horas de viagem, chega-se ao Oiapoque. A cidade, com 19 mil habitantes, tem um jeito de faroeste: tudo gira em torno do ouro e do euro.
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Do outro lado do rio, fica Saint George de
L'Oyapock, na Guiana Francesa. É um território francês na
América do Sul. A travessia dura cinco minutos e o preço é
fixado na moeda estrangeira. Os brasileiros que atravessam o rio
vão para Saint George para trabalhar como pedreiros, empregadas
domésticas, mas, principalmente, para os garimpos ilegais. O
problema é que os clandestinos encontram, do lado de cá, em
território francês, uma polícia cada vez mais rigorosa e
disposta a reprimir a imigração ilegal.
O ouro dos garimpos em território francês é o que
alimenta a cobiça dos brasileiros. Conseguimos permissão para
acompanhar a travessia clandestina de garimpeiros para a Guiana.
Os barcos saem carregados de combustível, sacas de
comida e até móveis.
No Brasil, os comerciantes derretem as pepitas
para transformá-las em barra. O gerente diz que tira nota
fiscal, paga impostos à Receita e envia o ouro à empresa matriz
para negociá-lo na bolsa de valores. Ou seja, legaliza o minério
que todos sabem ter origem ilícita.
Mas a vida neste pedaço da fronteira não se resume
a casos de polícia. Na pacata Saint George de L'Oyapock,
com três mil habitantes, encontramos muitos casais binacionais
como a brasileira Érica e o guianense José. O casal aproveita o
que cada lado da fronteira tem de melhor. Érica prefere pegar o
barco e ir ao açougue do lado brasileiro. Para quem ganha em
euro, sai muito mais barato. Além disso, a carne é fresca e no
lado francês, congelada. Já o vinho do almoço é um legítimo
bordeaux. “Não fico com saudade do Brasil, porque todo dia a
gente tem um pouquinho dele”, afirma Érica.
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