A cidade de Pacaraima (RR), na fronteira brasileira com a Venezuela, é pouco mais que um povoado à beira da estrada. Localizada a 210 quilômetros da capital, Boa Vista, a cidade é passagem obrigatória para quem quer fazer compras do outro lado da divisa, aproveitando a diferença de câmbio entre o Brasil e o país vizinho.
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Quem chega a Pacaraima logo é abordado por cambistas, que trocam
reais por bolívares – a moeda utilizada na Venezuela. O câmbio
sem nenhum registro é feito na rua, à vista de todos.
O que mais atrai os brasileiros para as terras
venezuelanas é o preço do combustível, que é muito mais barato
do que no Brasil. O litro da gasolina custa o equivalente R$
0,90, quase um terço do preço cobrado em Roraima.
Mal o dia amanhece, forma-se uma imensa fila para
abastecer o carro em um posto do outro lado da fronteira. É
tanta gente que, para evitar tumultos, soldados do exército
venezuelano fazem a segurança do posto.
Propina
Segundo a Polícia Federal, há muitas pessoas em
Pacaraima vivendo do contrabando de combustível. Em um depósito
mantido pela instituição, dezenas de carros estão apreendidos
por terem o tanque de combustível adulterado, aumentando sua
capacidade e facilitando o comércio ilegal.
Um homem que não quer ser identificado informa que
soldados venezuelanos cobram até 50 reais para permitir o livre
acesso à fronteira. “Conforme a propina você abastece dez vezes,
duas vezes, o tanto que quiser”, denuncia.
Quando voltam a Roraima, os contrabandistas
guardam o combustível em galões, e pagam mais propina para
armazená-los. A Polícia Federal afirma que não tem estrutura
para fiscalizar todos os carros.
Compras
Seguindo de Pacaraima para a Venezuela, são quinze quilômetros de
estrada até Santa Elena do Uairén. A paisagem é marcada pela
bela vista das savanas amazônicas, com direito a cachoeiras de
águas límpidas.
A cidade estrangeira lembra Cidade do Leste, no
Paraguai: seus preços baixos atraem os turistas que adoram ir às
compras. O Real é aceito na maioria dos estabelecimentos e,
apesar de ter se desvalorizado ultimamente, muita gente ainda
cruza a fronteira para aproveitar as pechinchas.

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