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18/11/08 - 09h30 - Atualizado em 08/12/08 - 15h12

Cientistas criticam plano de asfaltamento de rodovia no meio da Amazônia

Pavimentação da Porto Velho-Manaus está sendo preparada pelo governo.
Pesquisadores apontam fatores ambientais e econômicos negativos.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em Manaus

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Pesquisadores ouvidos pelo Globo Amazônia não vêem com bons olhos o plano de pavimentação da rodovia BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) e atualmente é intransitável na maior parte de sua extensão.

Philip Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), dedicou seu espaço na Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, que acontece esta semana em Manaus, a apontar os problemas que a estrada pode trazer.

Segundo ele, a rodovia não interessa sequer à indústria concentrada na capital amazonense, que pode escoar sua produção em navios. "Seria mais interessante ampliar a capacidade dos portos da cidade", observa o cientista. "Os portos são o grande gargalo, pois são usados para exportações e não sobra capacidade para manda para o mercado interno."

Para Fearnside, a abertura da BR-319 é representa um grave risco: "Estão ligando a Amazônia Central com o arco do desmatamento. Em Manaus quase não tem desmatamento, mas a estrada pode mudar completamente a situação", critica. "Usam como exemplo o parque de Yellowstone, que se conserva mesmo sendo cortado por estradas. Até o quadro mudar para ser parecido com Yellowstone, não vai mais haver floresta", diz Fearnside.

Alexander Pfaff, da Duke University, nos EUA, verificou que a abertura de uma rodovia com tráfego pesado em meio à selva causa mais danos que em zonas já desenvolvidas, com outras estradas próximas. Para chegar a essa conclusão Pfaff analisou imagens de toda a Amazônia e também de outras áreas de floresta, como a região sul do México. "No começo, quando a estrada é aberta (em lugares remotos), não há muita destruição porque não há gente para promovê-la, mas com o tempo ela se intensifica", comenta o pesquisador.

Quando já há agricultura e infra-estrutura viária próxima, o impacto sobre a floresta que ainda subsiste é menor. "Por isso seria mais interessante intensificar a atividade em regiões que já têm algum desenvolvimento", comenta.

"Infelizmente aqui tudo que é desenvolvimento é também desmatamento" preocupa-se Regina Luizão, também pesquisadora do Inpa. "Um dos nossos projetos (do Inpa) está avaliando especificamente a BR-319, sob todos os aspectos. Estamos muito preocupados, porque a biodiversidade de um lugar para outro pode mudar muito", observa, explicando que na área afetada pela rodovia há espécies que só ocorrem ali, e que podem ser negativamente afetadas pela obra. "Já sabemos que o asfaltamento vai trazer muitos danos", diz.

Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e especialista em aquecimento global, condena a obra e aposta numa alternativa: "A construção de uma ferrovia seria um bom exemplo de como desenvolver sem desmatar. Não vai faltar banco internacional para financiar uma obra sustentável."

 

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