Cuxiú-preto não se reproduz quando está em pequenas ilhas de floresta. (Foto: Eduardo L. Paschoalini / Museu Goeldi)
O cuxiú-preto é um primata amazônico que gosta de viver em grupos
grandes, de até 40 indivíduos, que saem em bando para coletar
sementes. Por causa desse convívio em grande número, seria
difícil imaginar que esses animais poderiam viver numa área
pequena de floresta.
No entanto, o pesquisador do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia, Wilson Spironello, que acompanha esses
macacos desde 2003, descobriu que eles conseguem sobreviver nas
ilhas de floresta que sobram onde há desmatamento. Ele
acompanhou grupos de cuxiús em fragmentos de mata de 10 a 100
hectares nas proximidades de Manaus (AM), e notou que eles
conseguem encontrar comida suficiente para sobreviver, mas têm
seu comportamento alterado.
Em áreas consideradas pequenas (10 hectares), os
cuxiús passaram a andar em grupos de três ou quatro indivíduos.
Além disso, os animais, que normalmente se deslocam muito pela
floresta, passaram a fazer caminhos repetitivos. "Eles
fazem essas rotas circulares porque não encontram novas fontes
de comida", explica o cientista.
Finalmente, a constatação mais grave foi que os
cuxiús não se reproduzem quando estão nessas ilhas, o que
significa que conseguem sobreviver, mas que a população não
subsistirá na ilha de floresta por muito tempo. As conclusões de
Spironello, ainda não publicadas, foram apresentadas no
Congresso Científico Internacional Amazônia em Perspectiva, que
acontece de segunda (17) a quinta (20) em Manaus.
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