Meinrat Andreae, climatologista e diretor do Instituto Max Planck
de Química, da Alemanha, apresentou um panorama cheio de
incertezas da ação humana sobre a floresta no Congresso
Internacional Amazônia em Perspectiva que acontece até
quinta-feira (20), em Manaus, reunindo quase mil pesquisadores e
estudantes da biodiversidade e do uso da terra na Amazônia.
“O desmatamento causa perturbações não-lineares e
imprevisíveis no regime de chuvas”, alerta o cientista. Estudos
selecionados pelo alemão apontam que as precipitações em áreas
desmatadas podem crescer num primeiro momento e depois diminuir,
cair linearmente ao longo do tempo ou até apresentar uma queda
brusca seguida de redução mais moderada. Certo é, apenas, que a
tendência é de diminuição, algo que a longo prazo pode ser fatal
para o bioma amazônico, já que ele depende fundamentalmente de
seu ciclo hidrológico para se renovar.
Ainda assim, Andreae, que estuda a interação da
biosfera com a atmosfera há mais de 30 anos, com ênfase na ação
dos aerossóis, destaca que observações de curto prazo mostram
que a floresta poderia se beneficar da falta d’água: “Na seca de
2005 foi verificado que precisamente nas áreas mais secas as
plantas estavam mais verdes. As plantas tinham mais luz, pois
havia menos nuvens no céu, e havia água suficiente, já que a
seca não foi muito prolongada, de modo que elas puderam aumentar
a fotossíntese”. O alemão lembra ainda que, no passado, a selva
tinha menos água. “Entre 4.000 e 8.000 anos atrás a Amazonia era
mais seca”, cita.
Por outro lado, com a redução da umidade da
floresta, ela fica também mais suscetível às queimadas: “A maior
parte da Amazonia é tão úmida que você pode jogar napalm nela
que ela não vai pegar fogo. Mas num período mais seco, partes
maiores da floresta ficam suscetíveis ao fogo. Cada queimada
reduz a umidade da floresta e a deixa mais exposta a novas
queimadas”.
As queimadas e sua emissão de gases aerossóis têm
outra forma de influência sobre as chuvas – os aerossóis servem
de núcleo para a formação de gotas de chuva. No entanto, quando
presentes em grande concentração, levam o vapor d’água para
camada mais altas da atmosfera, onde forma granizo. Ao congelar,
a água perde energia, o que altera o ciclo natural também de
forma imprevisível.

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