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A melhor maneira de deter o avanço da destruição da Amazônia é
tornar sua conservação economicamente viável para os
proprietários de terra, defendeu Daniel Nepstad, da Gordon and
Betty Moore Foundation, um dos ecólogos mais respeitados no
estudo da região. "Quase tudo que se faz pela Amazônia são
leis para punir infratores", disse. "Se o custo de se
cumprir a lei é alto, a chance de as pessoas não a respeitarem é
maior".
Em outras palavras, do jeito como é a legislação
ambiental, argumentou o pesquisador, seu cumprimento torna a
produção agropecuária menos rentável. A principal forma de
tornar o cuidado com a floresta lucrativo é o REDD (Redução de
Emissões para o Desmatamento e Degradação), em que recursos
internacionais viabilizam o pagamento pela quantidade de gás
carbônico que a floresta deixa de emitir por não ser desmatada.
Nepstad destacou que o mecanismo já é realidade em cinco países
amazônicos – inclusive o Brasil, por meio do Fundo Amazônia.
O americano também defendeu a flexibilização do
limite de reserva legal na Amazônia – atualmente os
proprietários da região podem desmatar no máximo 20% de suas
fazendas. Para o cientista, essa margem deveria variar de acordo
com a realidade de cada zona.
Falando à comunidade de cientistas que estão
reunidos na Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva,
que acontece em Manaus até esta quinta-feira (20), Nepstad
destacou ainda que a crise financeira atual é uma grande
oportunidade para a floresta. O especialista afirma que a
pressão do mercado sobre a Amazônia diminuiu - os preços dos
biocombustiveis, da carne e dos grãos caíram, o que abre uma
brecha para que políticas de controle da devastação sejam
implementadas. Em sua opinião, deve ser dada prioridade para
aquelas que envolvam a mobilização das populações locais para a
conservação.
Nepstad se disse otimista com o atual momento,
lembrando que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama,
prometeu na terça-feira (19) que os Estados Unidos "se
envolverão vigorosamente" nas discussões sobre o clima
global. Na ocasião, Obama garantiu que, apesar da crise
financeira, manterá os planos para uma redução drástica das
emissões de carbono até 2020. O futuro mandatário reiterou ainda
seu compromisso com um sistema de limites e créditos para
emissões de dióxido de carbono pelas grandes indústrias.
Nepstad citou como positiva também a reunião de
governadores de diferentes países, entre eles o Brasil, da qual
o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, foi o
anfitrião, e que terminou com a assinatura de uma declaração que
pretende servir de marco de trabalho para preparar um tratado
que substitua o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.

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