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20/11/08 - 14h55 - Atualizado em 20/11/08 - 14h55

Conservação da floresta precisa ser tornada lucrativa, defende ecólogo

Pesquisador americano defendeu mudança na regra de reserva legal.
Para Daniel Nepstad, crise é hora certa para reforçar conservação.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A melhor maneira de deter o avanço da destruição da Amazônia é tornar sua conservação economicamente viável para os proprietários de terra, defendeu Daniel Nepstad, da Gordon and Betty Moore Foundation, um dos ecólogos mais respeitados no estudo da região. "Quase tudo que se faz pela Amazônia são leis para punir infratores", disse. "Se o custo de se cumprir a lei é alto, a chance de as pessoas não a respeitarem é maior".

Em outras palavras, do jeito como é a legislação ambiental, argumentou o pesquisador, seu cumprimento torna a produção agropecuária menos rentável. A principal forma de tornar o cuidado com a floresta lucrativo é o REDD (Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação), em que recursos internacionais viabilizam o pagamento pela quantidade de gás carbônico que a floresta deixa de emitir por não ser desmatada. Nepstad destacou que o mecanismo já é realidade em cinco países amazônicos – inclusive o Brasil, por meio do Fundo Amazônia.

O americano também defendeu a flexibilização do limite de reserva legal na Amazônia – atualmente os proprietários da região podem desmatar no máximo 20% de suas fazendas. Para o cientista, essa margem deveria variar de acordo com a realidade de cada zona.

Falando à comunidade de cientistas que estão reunidos na Conferência Internacional Amazônia em Perspectiva, que acontece em Manaus até esta quinta-feira (20), Nepstad destacou ainda que a crise financeira atual é uma grande oportunidade para a floresta. O especialista afirma que a pressão do mercado sobre a Amazônia diminuiu - os preços dos biocombustiveis, da carne e dos grãos caíram, o que abre uma brecha para que políticas de controle da devastação sejam implementadas. Em sua opinião, deve ser dada prioridade para aquelas que envolvam a mobilização das populações locais para a conservação.

Nepstad se disse otimista com o atual momento, lembrando que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, prometeu na terça-feira (19) que os Estados Unidos "se envolverão vigorosamente" nas discussões sobre o clima global. Na ocasião, Obama garantiu que, apesar da crise financeira, manterá os planos para uma redução drástica das emissões de carbono até 2020. O futuro mandatário reiterou ainda seu compromisso com um sistema de limites e créditos para emissões de dióxido de carbono pelas grandes indústrias.

Nepstad citou como positiva também a reunião de governadores de diferentes países, entre eles o Brasil, da qual o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, foi o anfitrião, e que terminou com a assinatura de uma declaração que pretende servir de marco de trabalho para preparar um tratado que substitua o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.

 

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