Não há elevador para subir na estrutura com altura equivalente a um prédio de 18 andares. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)
A cerca da 90 quilômetros de Manaus, por estradas asfaltadas e de
terra, além de um trecho de dois quilômetros em trilha, existe
uma torre de 55 metros no meio da floresta amazônica. Trata-se
de uma espécie de andaime gigante com uma quantidade de
equipamentos científicos instalados na estrutura.
Esta é apenas uma de doze torres semelhantes
espalhadas pela Amazônia, como parte do Programa de Grande
Escala da Biosfera-Atmosfera (LBA). O programa é um conjunto de
pesquisas integradas com participação de instituições e
cientistas brasileiros e estrangeiros, que busca melhorar a
compreensão do funcionamento da Amazônia e do impacto das
mudanças dos usos de sua terra pelo homem, além das interações
entre a floresta e o clima global.
O
Globo Amazônia visitou torre de 55
metros no meio da floresta. Veja galeria de fotos.
O principal objetivo das torres é a medição do
fluxo de gases e das condições meteorológicas. A medição da
quantidade de gás carbônico no ar sobre a floresta permite tirar
conclusões sobre o seu papel no processo de aquecimento global.
Acredita-se que a mata tenha a importante função de retirar
carbono da atmosfera.
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Segundo o professor do Instituto de Física da Universidade de São
Paulo (Ifusp), Paulo Artaxo, das doze torres do LBA, onze têm
registrado aumento da quantidade de gás carbônico na atmosfera,
enquanto apenas uma, próxima a Santarém (PA), tem apontado
diminuição, o que destoa das crescentes emissões ocasionadas
pela atividade humana.
Na torre situada nas imediações de Manaus, explica
Artaxo, também já se mediu o fluxo de aerossóis (gases que atuam
na formação das chuvas). Em breve começará ali também uma
experiência inédita: a aferição da quantidade de metano emitida
pela floresta. A medição servirá para comprovar ou não um
polêmico estudo de cientistas italianos, que alegam ter
detectado em laboratório emissão de metano por plantas
amazônicas. Artaxo explica que o trabalho dos europeus é
surpreendente: “Até agora não tínhamos nenhuma evidência de que
as plantas emitissem metano. Isso poderia mudar completamente o
que conhecemos sobre esse assunto até agora”, diz.
Outra medições atmosféricas são feitas em
sobrevôos da floresta. Segundo Artaxo, há planos de construção
para uma nova torre muito maior – com 300 metros de altura –
assim que houve recursos.

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