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21/11/08 - 17h19 - Atualizado em 21/11/08 - 17h19

Sistema de torres mede fluxos da atmosfera na Amazônia

Globo Amazônia subiu em estrutura na selva com altura de 18 andares .
Veja galeria de imagens da construção e dos equipamentos científicos.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em Manaus

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Não há elevador para subir na estrutura com altura equivalente a um prédio de 18 andares. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)

A cerca da 90 quilômetros de Manaus, por estradas asfaltadas e de terra, além de um trecho de dois quilômetros em trilha, existe uma torre de 55 metros no meio da floresta amazônica. Trata-se de uma espécie de andaime gigante com uma quantidade de equipamentos científicos instalados na estrutura.

Esta é apenas uma de doze torres semelhantes espalhadas pela Amazônia, como parte do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera (LBA). O programa é um conjunto de pesquisas integradas com participação de instituições e cientistas brasileiros e estrangeiros, que busca melhorar a compreensão do funcionamento da Amazônia e do impacto das mudanças dos usos de sua terra pelo homem, além das interações entre a floresta e o clima global.

O Globo Amazônia visitou torre de 55 metros no meio da floresta. Veja galeria de fotos.

O principal objetivo das torres é a medição do fluxo de gases e das condições meteorológicas. A medição da quantidade de gás carbônico no ar sobre a floresta permite tirar conclusões sobre o seu papel no processo de aquecimento global. Acredita-se que a mata tenha a importante função de retirar carbono da atmosfera. 

Segundo o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (Ifusp), Paulo Artaxo, das doze torres do LBA, onze têm registrado aumento da quantidade de gás carbônico na atmosfera, enquanto apenas uma, próxima a Santarém (PA), tem apontado diminuição, o que destoa das crescentes emissões ocasionadas pela atividade humana.

Na torre situada nas imediações de Manaus, explica Artaxo, também já se mediu o fluxo de aerossóis (gases que atuam na formação das chuvas). Em breve começará ali também uma experiência inédita: a aferição da quantidade de metano emitida pela floresta. A medição servirá para comprovar ou não um polêmico estudo de cientistas italianos, que alegam ter detectado em laboratório emissão de metano por plantas amazônicas. Artaxo explica que o trabalho dos europeus é surpreendente: “Até agora não tínhamos nenhuma evidência de que as plantas emitissem metano. Isso poderia mudar completamente o que conhecemos sobre esse assunto até agora”, diz.

Outra medições atmosféricas são feitas em sobrevôos da floresta. Segundo Artaxo, há planos de construção para uma nova torre muito maior – com 300 metros de altura – assim que houve recursos.

 

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