Rio Pardo é uma cidade como as outras do interior de Rondônia: tem escola, supermercado, posto de gasolina. Ali vivem mais de 3 mil pessoas. Mas nada disso deveria existir, pois ela fica dentro de uma área de proteção ambiental, a Floresta Nacional do Bom Futuro.
"Ninguém poderia estar morando aqui dentro, mas, por omissão
do estado há mais de 10 anos, hoje a situação se consolidou de
tal forma que a gente vai ter que buscar uma solução
conjunta", diz George Porto Ferreira, coordenador-geral de
zoneamento e monitoramento ambiental do Ibama. "O principal
problema de degradação ambiental que a gente entende que
acontece aqui dentro é a extração ilegal de madeira e os grandes
rebanhos de gado", acrescenta.
O Fantástico foi até a floresta para apurar graves
denúncias enviadas por internautas. "Estão derrubando as
árvores e plantando capim", escreveu um deles.
"Venham, pesquisem e vejam o que está acontecendo. É um
absurdo", escreveu outro.
Pelo ar e pela terra, a equipe de reportagem,
junto com equipes do Ibama e do Instituto Chico Mendes, flagrou
inúmeras cenas de destruição numa área que deveria ser intocável.
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Em um dos momentos da visita, motoristas desconfiados da movimentação abandonaram caminhões com toras de samaúma, árvore que pode ser considerada a rainha da floresta e que chega a ter 40 metros de altura. De acordo com os cálculos dos técnicos do Ibama, o prejuízo em madeira retirada de Bom Futuro nos últimos anos passa de R$ 300 milhões. E eles fazem um alerta: se nada for feito para frear o desmatamento, até 2020 pode não restar mais nada da floresta.
Nas áreas onde deveria haver mata, há plantaÇões,
principalmente de café e de banana.Um agricultor encontrado pela
equipe de reportagem cultiva melancias. Perguntado sobre se
sabia que Bom Futuro é uma área de preservação, ele respnde:
"Agora estou sabendo, mas na época que entrei aqui, eu não
sabia.
Em Rio Pardo, onde se concentra a maioria dos
moradores, há quem defenda a ocupação da reserva. "Nunca vi
placa em canto nenhum (indicando) que era reserva", diz o
agricultor Dilson da Silva. Uma decisão judicial determinou a
retirada de todas as cabeças de gado até junho do ano que vem .
"Acho uma decisão erradíssima. Eles tinham que ter corrido
atrás na época que não tinha ninguém", argumenta Silva. Os
moradores têm garantia das autoridades de que, por enquanto, não
haverá ação policial para tirá-los da reserva.
"A estratégia agora é a gente buscar o
entendimento, conversar com as pessoas e, a partir daí, buscar
propostas para solucionar o problema, esse conflito
socioambiental que existe na região", diz Paulo Volnei
Garcia, chefe da floresta nacional.

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