Com as novas ferramentas lançadas pelo Globo Amazônia no último
domingo (30), agora é possível ver pontos que trazem vídeo e
texto dentro do mapa interativo. Clicando neles, o usuário
poderá ler um breve resumo ou acessar um link para a página
correspondente no portal de notícias, onde obterá as informações
completas.
Para explorar a nova ferramenta, o Globo Amazônia
entrevistou o pesquisador Carlos Souza Jr, do Instituto do Homem
e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), especializado na análise
de imagens de satélite da região. Ele indicou cinco pontos-chave
na preservação da floresta no estado do Pará. Confira abaixo
quais são os locais apontados por Souza Jr e entre no mapa
interativo para descobrir onde eles se encontram.
Terra do Meio
A pecuária ocupa áreas de parques e reservas na região da Terra do Meio.
Localizada no sudeste paraense, a região ficou conhecida
nacionalmente quando o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc,
promoveu um leilão com os bois que eram criados ilegalmente
dentro de uma reserva da região.
Segundo o pesquisador do Imazon, as criação de
várias unidades de conservação, em 2003, freou o desmatamento
por um tempo, mas agora as estradas clandestinas e as clareiras
voltaram a se abrir, cedendo espaço para o gado. "Como o
governo não está implementando [as reserves criadas no papel],
está havendo um repique de desmatamento", explica.
Nas imagens de satélite, o internauta pode
observar como duas reserves, localizadas ao leste da cidade de
São Félix do Xingu, seguraram a onda de devastação, que se
acabou se alastrando nos arredores da sede do município.
Transamazônica
Projetos antigos de colonização eram baseados em estradas paralelas que saíam da Transamazônica.
A construção da rodovia, na década de 1970, abriu caminho para a
maior onda de ocupação da Amazônia. No Pará, é possível observar
no mapa um tipo de organização das estradas conhecido como
"espinha de peixe". Ele foi utilizado nos primeiros
assentamentos criados pelo governo na beira da estrada.
"Ao longo da estrada principal são criados os
travessões [estradas secundárias], espaçados a cada 10
quilômetros. O processo de desmatamento vai ocorrendo ao longo
desses travessões.", esclarece Souza Jr.
BR-163
Parques e reservas criados ao longo da rodovia não foram suficientes para barrar destruição na BR-163.
A rodovia que liga a capital de Mato Grosso, Cuiabá, ao município
paraense de Santarém é hoje um dos maiores problemas para os
fiscais do Ibama. Com o anúncio do asfaltamento da rodovia,
houve uma corrida para a região.
Assim como na Terra do Meio, foram criados muitos
parques e reserves nos entornos da rodovia, mas a maior parte
dessas áreas protegidas não tem infraestrutura suficiente para
impedir a retirada ilegal de madeira.
Norte de Itaituba
Grande trecho de floresta desprotegida está próximo a uma mina em construção ao norte da cidade de Itaituba.
Às margens do rio Amazonas, entre a cidade de Parintins (AM) e
Santarém (PA), é possível observar no mapa interativo uma grande
porção de floresta que ainda está preservada, mas corre grande
risco, de acordo com o pesquisador do Imazon. Uma mina de
bauxita está sendo construída nesse local e, apesar da obra em
si ter pouco impacto ambiental, ela pode provocar uma corrida à
região.
"Há vários portos próximos, indústria
madeireira muito aquecida, e a fronteira do leste do Pará já
está com os recursos madeireiros esgotados. Há todas as
condições para que isso [o desmatamento] aconteça.", prevê
Souza Jr.
Calha Norte
Mosaico de parques e reservas protege a região da Calha Norte, que é rica em biodiversidade.
Apesar de muitas áreas registrarem desmatamento acelerado, e
tantas outras estarem gravemente ameaçadas, ainda há locais que
guardam grandes porções de floresta intocada. Um exemplo é o
noroeste paraense, na região conhecida como Calha Norte.
Segundo o pesquisador do Imazon, ali há um grande
mosaico de parques e reserves estaduais que têm funcionado como
barreira à destruição. "É um caso interessante porque essas
unidades de conservação seguraram a grilagem [ocupação ilegal de
terras públicas]."
Quem olha no mapa pode se deliciar com o grande
"tapete verde" formado pelas florestas do extremo
norte brasileiro. Na divisa com o Suriname, uma mancha marrom
pode enganar o internauta desavisado: "Ali há vegetação de
savana", explica Souza Jr.

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