Uma fiscalização do Ibama realizada no município de Novo
Repartimento, no Pará, desmontou um esquema de falsificação de
documentos para legalização de madeira. Foram descobertas 14
empresas fantasmas que não tinham sede e serviam para emitir
notas fiscais e guias florestais – documentos utilizados para
transportar e vender madeira.
Segundo o fiscal Norberto Souza, que coordenou a
operação, o esquema permitia que madeira retirada ilegalmente da
floresta passasse pela fiscalização sem ser percebida. “Se a
gente encontrar um caminhão [dessas empresas] carregado de
madeira, ele vai passar pela fiscalização”, relata.
De acordo com Souza, os principais destinos da
madeira eram o Sudeste brasileiro e o exterior, onde eram
vendidas com todos os documentos exigidos. Ele alerta que o
esquema pode ser muito maior. “Isso é só em uma região que
visitamos. Tem outras.”
Ninguém foi preso durante a operação, que durou 40
dias e terminou no último dia 6. O fiscal do Ibama afirma que o
órgão está pedindo à Receita Federal o cancelamento do CNPJ das
empresas e alertando prefeituras locais para que tenham mais
rígidez no momento de emitir alvarás de funcionamento. O
instituto também notificará a Secretaria de Meio Ambiente do
Pará, responsável por emitir a documentação de transporte e
comercialização de madeira, para que verifique o caso.
Além de descobrir empresas fantasmas, a operação
do Ibama em Novo Repartimento também embargou 12 serrarias que
não tinham licença ambiental, apreendeu 12 mil metros cúbicos de
madeira e aplicou mais de R$ 17 milhões em multas.

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