Uma operação do Ibama realizada em Mato Grosso fechou oito serrarias que operavam de forma irregular no município de Nova Ubiratã, no norte do estado. De acordo com o instituto, elas estavam localizadas dentro do assentamento Nova Esperança, de onde retiravam madeira.
Os 1.264 metros cúbicos de madeira apreendida foram doados à prefeitura de Nova Ubiratã, que precisou alugar caminhões para transportar as tábuas e toras. (Foto: Ibama-MT / Divulgação)
Segundo Evandro Selva, chefe de fiscalização do Ibama de Sinop,
que acompanhou a operação, seis empresas eram totalmente
clandestinas e foram lacradas. Em uma delas, os funcionários
fugiram quando perceberam a chegada dos fiscais, e a serraria
foi desmontada. “Quando acontece isso e não localizamos o
responsável, fazemos a apreensão tanto da madeira quanto dos
equipamentos”, relata.
De acordo com Selva, o fato das empresas estarem
localizadas dentro de um assentamento não é, por si só, um crime
ambiental. O problema estaria no corte e venda ilegal da
madeira. “São madeireiras de lá que ‘esquentam’ [conseguem
documentos falsos] essa madeira. Aqui na região, que impera é
isso. Se não tiver documento, outra madeireira arruma”, explica.
No total, foram aplicados R$ 210 mil em multas e
apreendidos 1.264 metros cúbicos de madeira, que foi doada para
a prefeitura local. Segundo o fiscal, eram tantas tábuas que foi
necessário alugar caminhões para realizar o transporte.
Novas rotas
A maior parte do material apreendido era formado
pelas espécies itaúba e champanhe. “O metro cúbico de itaúba
serrada custa mais de mil reais”, relata o fiscal do Ibama.
Segundo ele, a madeira era escoada por uma rota nova, que sofria
pouca fiscalização.
“Imaginávamos que o transporte seria feito pela
BR-163 [rodovia Cuiabá - Santarém], mas a madeira estava saindo
pela BR-070. Para nós, de Sinop, são 270 quilômetros de
distância. Para chegar até lá, rodamos 80 quilômetros em
asfalto, e o resto é chão”, reclama.
Além do Ibama, participaram da operação a Pol[icia Federal e a Força Nacional de Segurança. A ação faz parte da Operação Arco de Fogo.
Mapa interativo
Todo os pontos de desmatamento ocorridos na
Amazônia no mês de outubro podem ser vistos no mapa interativo
do Globo Amazônia, onde também é possível
observar os focos de incêndio em tempo real e protestar contra a
destruição da floresta.
No município de Nova Ubiratã, um foco de desmatamento de quase um
quilômetro quadrado já recebeu 1487 manifestações de
internautas, que reclamaram da devastação.
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