A aventura começa no aeroporto de Cuiabá. De avião, leva-se uma hora e gasta-se R$ 300 até perto da floresta. É preciso percorrer ainda 30 quilômetros por estrada de terra e uma hora de barco pelos rios Teles Pires e Cristalino até chegar à Reserva Particular do Patrimônio Natural, uma área de 13 mil hectares no meio da floresta amazônica aberta para visitação o ano todo.
A região é considerada pelos ornitólogos uma das mais ricas da
Amazônia para a observação de aves.
Para avistar as aves, é preciso estar atento e ter
bastante paciência, mas, quando menos se espera, um bando de
garças brancas sobrevoa o barco. Mais adiante, encontra-se o
local onde as jacutingas se alimentam.
Depois de ancorado o barco, são mais de 25 trilhas
de observação. Na chamada Trilha da Castanheira o visitante pode
tentar localizar uma outra ave típica da região, o uirapuru. Pra
facilitar a visualização, o guia Francisco de Souza usa uma
técnica muito comum: captar o canto das aves e depois disparar a
gravação no meio do mato. Com um pouco de insistência, o
uirapuru aparece, disfarçado entre os galhos. “Ela ouve e se
aproxima para defender o território”, explica. Um desfile de
aves enche de cores os olhos e as lentes dos fotógrafos.
Outro espetáculo fica por conta das borboletas:
são mais de duas mil espécies na região.
Quando bater o cansaço, nada de improviso: hotéis
de selva oferecem toda a infraestrutura, com olhar sempre
voltado para preservação. O sol é a fonte de energia para
aquecer a água, os resíduos dos banheiros têm tratamento
biológico. “Eu queria ter um negócio e, ao mesmo tempo, manter a
floresta em pé, de uma forma que eu pudesse usar todos os
elementos de sustentabilidade no meio da floresta”, diz a dona
do hotel, Vitória da Riva. Diárias a partir de R$ 300 incluem
todas as refeições, passeios de barco e a orientação de um guia.
Antes de descansar, enfrentamos mais um desafio:
subir uma torre de 500 degraus. É um dos pontos mais altos da
região, a 50 metros do solo. A fotógrafa Carolina da Riva subiu
com todo o equipamento necessário para registrar o pôr- do-sol.
“É só verde em 360 graus, em volta não tem nenhuma clareira, não
tem nada. No mínimo, emociona”, diz.

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