Apesar do nome da planta remeter ao estado paraense, é o Acre o líder de produção da castanha-do-Pará – também chamada de castanha-do-Brasil. O estado responde por 35% da produção nacional, que é toda retirada da floresta.
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Uma das pessoas que vive da coleta da castanha é
Francisco Soarez de Melo. Desde que nasceu, a renda de sua
família vem de produtos da mata. Foi com o pai que ele aprendeu
a procurar no meio da mata os ouriços – casca dura e pesada que
abriga as sementes – da castanha. Durante a safra, ele chega a
caminhar até cinco horas por dia para coletar cerca de 30 quilos
do produto.
“Às vezes uma castanheira é boa produtora e dá de
oito a dez latas. Então, demora mais para fazer a coleta e nesse
dia não dá para andar muito. Quando a gente topa com as
castanheiras que não são boas produtores, a gente anda mais”,
afirma Melo. Na safra passada, ele coletou 50 latas de castanha.
Foram 60 quilos do produto que renderam cerca de mil reais.
Do meio da floresta, ele leva a castanha coletada
para o armazém que recebe também a produção de mais 21 famílias
que vivem na reserva Chico Mendes. No ano passado, a safra
rendeu mais de 53 mil quilos de castanha. Na safra deste ano, os
produtores calculam uma redução de 20% na produção.
Uma associação agrega 22 produtores da reserva. Na
última safra, ela beneficiou 1,3 milhão de latas de castanha ao
preço de R$ 17,00. O processamento da castanha tem basicamente
seis etapas. Do armazém a castanha é levada para máquinas que
fazem a desidratação primária e a esterilização. Com a casca já
quebrada, a castanha segue na esteira para a classificação de
qualidade. Depois, volta para a estufa, onde fica desidratando
por mais 24 horas, para, então, ser embalada a vácuo, em caixas
de 20 quilos cada.
Da cooperativa, a castanha do Acre é vendida
principalmente para estados do Sul e do Sudeste do país. Segundo
o diretor da associação, Celso Custódio, a tendência do preço da
lata do produto é aumentar para R$ 18,00.

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